quinta-feira, 1 de maio de 2014

Para sempre, Lacerda.


Há exatos 100 anos, no dia 30 de abril de 1914, nascia no Rio de Janeiro (registrado em Vassouras, no interior do estado) o jornalista, escritor e político Carlos Frederico Werneck de Lacerda, um dos principais personagens da história do Brasil, que morreu prematuramente, aos 63 anos, em 1977.

Seu nome foi uma homenagem da família comunista à Karl Marx (Carlos) e Friedrich Engels (Frederico), por mais surpreende que possa parecer, já que é o mais notório anticomunista do país. Ele também se opôs ao nacionalismo “desenvolvimentista” do getulismo, de inspiração fascista, que com o comunismo fazem as duas nefastas correntes de pensamento ideológicas majoritárias do Brasil até hoje, um país incapaz de conceber uma terceira via liberal-conservadora.

Carlos Lacerda surgiu no cenário político nacional em 1935, aos 21 anos, já um orador brilhante, carismático e arrebatador, no evento de lançamento da ANL (Aliança Nacional Libertadora), entidade ligada ao PCB (Partido Comunista Brasileiro) e obediente aos ditames de Moscou via Comintern. Nesse dia, o estudante Carlos Lacerda foi escolhido para ler o manifesto e pedir que Luís Carlos Prestes, que estava na URSS, fosse aclamado como presidente de honra da ANL.

Seu rompimento com o movimento comunista viria em 1939, expurgado do partido por um texto escrito por ele sob encomenda tratando da “vitória” do getulismo sobre o comunismo. Ele trabalhava numa revista que publicou uma série de artigos comemorativos do primeiro aniversário do Estado Novo de 1937 por encomenda do DNP, depois batizado de DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda), e a Lacerda foi pedido o texto sobre o comunismo. Obediente e precavido, consultou oficialmente o partido e, por tabela, Moscou, para saber se aceitava a tarefa e como deveria proceder. Foi orientado a escrever a matéria passando a idéia de que a Intentona Comunista foi algo isolado, de um punhado de doidos conspiradores, a maioria já cassados e presos, e sem qualquer articulação com o comunismo internacional. Cumpriu as ordens mas foi demonizado pelos comunistas brasileiros e chutado para fora do movimento, um choque do qual demorou anos para superar.

Nos anos 40 entra para a UDN. Em 1947 é eleito vereador e começa oficialmente a carreira como político. Lacerda se tornaria o maior opositor à volta de Getúlio Vargas ao cargo de presidente e começava o caminho que depois viria a associar seu nome ao “derrubador de presidentes”.

Sua oposição a Getúlio Vargas terminou, numa série estonteante de eventos em três semanas de agosto de 1954, com o suicídio do presidente, o que fez com que se refugiasse, ironicamente e por alguns dias, em Cuba – pouco antes de virar o zoológico dos irmãos Castro, claro. De volta ao Brasil, foi a principal pedra no sapato de Juscelino Kubitschek e o grande cabo eleitoral de Jânio Quadros em 1960. No final dos anos 60, ao se tornar amigo e correligionário de Juscelino na Frente Ampla, perguntou ao ex-presidente porque nunca permitiu que tivesse uma concessão de TV e JK respondeu: “se eu te desse um canal de TV você me derrubaria”.

Conspirou contra Jango, apoiou a revolução de 1964 e depois foi cassado por ela, quando era o político mais popular do Brasil e o mais provável vencedor numa eleição presidencial prometida por Castello Branco que nunca aconteceu, quando os militares deram o golpe dentro do golpe e se encastelaram no poder até 1985, manchando para sempre a imagem do regime que livrou o país do caos instaurado pelo errático, incompetente, inconsequente e radical governo de João Goulart.

Como governador da Guanabara (1960-1965), foi um revolucionário em métodos de gestão, no estabelecimento de metas e em resultados que transformaram para sempre a atual cidade do Rio de Janeiro. Difícil imaginar um administrador público republicano com uma história de tamanha competência, trabalho duro e um legado de realizações no Brasil como ele.

Quem é do Rio de Janeiro ou vive na cidade deveria agradecer todos os dias a quem fez a adutora do Rio Guandú, que acabou com o crônico problema de falta d’água da cidade, mas não só: o governo Lacerda está em quase todo lugar, como na criação do túnel Rebouças, no alargamento da praia de Copacabana e no plano diretor que idealizou a Linha Vernelha e a Linha Amarela, esta última merecidamente batizada com seu nome.

Além de todas essas facetas, era também um intelectual de primeiro time, tendo criado a Editora Nova Fronteira, uma das mais conhecidas do mercado editorial do país até hoje. É também tio-avô de Marcio Lacerda, atual prefeito de Belo Horizonte (antes que me perguntem, não estou nem aí para os boatos sobre seu bissexualismo, seu caso com a atriz Shirley MacLaine, irmã de Warren Beatty, entre outras fofocas de alcova).

Carlos Lacerda foi expulso pelos comunistas e cassado pelo militares, mas seu espírito incontrolável e sua oratória demolidora marcaram a política brasileira por décadas. Sua intolerância com a corrupção, com a mediocridade, sua recusa em negociar princípios por cálculos políticos e arranjos fisiológicos, sua coragem e seu carisma tornaram Carlos Lacerda uma das figuras mais hipnotizantes da história do Brasil.


* ALEXANDRE BORGES é Diretor do Instituto Liberal.

sábado, 19 de abril de 2014

Dia do Índio: cidadania, não apito!


Hoje é Dia do Índio, criado por Getúlio Vargas. Dia para que toda elite branca culpada se penitencie por suas conquistas materiais e, com isso, torne-se presa fácil para os oportunistas de plantão, que falam em nome das “minorias”, mas agem em benefício próprio.

Não, eu não estou aqui negando que os índios sofreram no passado. Longe de mim! Estou apenas constatando que toda a história maniqueísta e revisionista, que trata o homem branco ocidental como “malvado” e os índios como vítimas puras e indefesas, não passa de balela, uma mentira que serve aos interesses de muita gente.

Mas a maldita ideia de “bom selvagem”, divulgada por Rousseau, sobrevive, e ainda conquista muitas almas. “Ah, como os índios viviam em paz com a natureza e sem a corrupção capitalista!” Nada disso. Viviam como selvagens, bárbaros, que destruíam a natureza por ignorância científica, ateando fogo na mata toda, e se matavam entre si, sem falar de práticas nefastas como o infanticídio, existentes até hoje em algumas tribos remanescentes.

Sad, but true, como diria o Metallica. Mas a questão indígena cai como uma luva na narrativa dos esquerdistas que lideram a “marcha dos oprimidos”. Tudo para condenar o capitalismo, o homem branco ocidental malvado, explorador, cruel, insensível. E, claro, demandar reparações, muitas reparações, intermediadas pela corrupta Funai, porque ninguém é de ferro.

Em sua coluna de hoje na Folha, Kátia Abreu fala do Dia do Índio, defendendo que o povo indígena merece cidadania, não apito. Devemos olhar para frente, não para trás. Há algo de cruel e arrogante no tratamento que a elite culpada dá aos índios, vistos como mentecaptos, inimputáveis, seres inferiores que merecem sua nobre proteção, algo como bichos num zoológico humano.

Não! Índios são brasileiros, a maioria totalmente adaptada ao ambiente cultural, e devemos lutar por um Brasil sob o império das leis, ou seja, que trate cada um da mesma forma, como cidadão. Criar duas nações segregadas dentro do mesmo país, a nação indígena e a nação dos brasileiros, é absurdo. Diz a senadora:

Basta escutar a demanda dos indígenas de nosso país e observar suas precárias moradias para ter ciência de que não querem, nem pretendem, voltar a uma era pré-Cabral. Querem ser brasileiros indígenas, índios cidadãos, e não constituir isoladamente uma nação dentro da nação brasileira, que é de todos nós.
De outro lado, a Funai deveria parar de incitar o Cimi (Conselho Indigenista Missionário) a travar uma luta contra o agronegócio, o lucro, a economia de mercado e os produtores rurais, como se esses fossem os verdadeiros responsáveis pelos atuais conflitos agrários envolvendo demandas indígenas.
Não é mais possível que índios sejam os instrumentos de tais políticas, sendo eles, da mesma maneira que os empreendedores rurais, vítimas de uma situação que os ultrapassa.

Concordo. Não há como discordar! Os índios, como abstração, viraram apenas instrumento de uso ideológico ou monetário para alguns, e os índios de carne e osso sofrem as conseqüências, vivendo em favelas rurais, abandonados, tratados como cidadãos de segunda classe. Os líderes enriquecem, os corruptos do governo também, e a maioria vive na miséria.

Kátia Abreu conclui: “A injustiça não pode ser acobertada ideologicamente pelos que visam a destruir a economia de mercado e o Estado democrático de Direito, transformando indígenas em meros instrumentos de seus projetos políticos”. Eis uma homenagem realmente louvável aos índios no dia de hoje, bem melhor do que vestir o filho com um cocar e achar que, assim, os “brancos malvados” redimiram seus pecados de séculos atrás.


*RODRIGO CONSTANTINO é um economista e colunista brasileiro. Foi articulista da revista "Voto" e escreve regularmente para os jornais "Valor Econômico" e "O Globo". A partir de agosto de 2013, passou a escrever também para a revista semanal "Veja". Presidente do Instituto Liberal3 e um dos fundadores do Instituto Millenium, foi considerado em 2012 pela revista Época, como um dos "novos trombones da direita" brasileira.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Apartidarismo: Filosofia do DCE Livre toma conta das Universidades

Por Gabriel Afonso Marchesi Lopes*

O Movimento Estudantil Liberdade foi fundado em 2006 por estudantes da UFRGS que não se sentiam representados pelo grupo, ligado ao PSOL e ao PSTU, que estava, na época, no comando do Diretório Central dos Estudantes da UFRGS. O principal problema, conforme foi verificado, advinha justamente do fato daquela gestão ser ligada a partidos políticos, o que fazia com que os interesses partidários sobrepujassem os reais interesses dos estudantes. Assim, naquele ano foi lançada a primeira chapa de cunho apartidário da história da UFRGS, que tinha como lema “Um DCE para Estudantes, não para Militantes!” e se chamou DCE Livre.

Hoje, passados mais de 8 anos da fundação do Movimento Estudantil Liberdade, a idéia do DCE Livre, que era libertar a entidade máxima dos estudantes da UFRGS dos grilhões partidários e, com isso, voltar ao seu foco inicial, ou seja, atender as necessidades dos estudantes e não as necessidades dos partidos políticos, se espalhou pelas principais Universidades do país. O ideal do apartidarismo, que nasceu no DCE Livre – Movimento Estudantil Liberdade, agora encontra guarida e serve como base para grupos semelhantes na PUCRS, FURG, UnB, USP, UFRJ, UFMG, entre outras.

Esta ideia, da desvinculação partidária das entidades estudantis, não é um fim em si mesma, isto é, o objetivo não é meramente o afastamento dos partidos políticos, mas uma proposta de mudança de foco dos órgãos discentes com priorização da busca por benefícios concretos aos estudantes e defesa da excelência acadêmica como melhor forma de ensino, que é aquele voltado aos interesses acadêmicos e não o que se propõe a defender políticas do Governo Federal ou ideologias de partidos políticos.

Um conhecido provérbio diz que “Antes de iniciares a tarefa de mudar o mundo, dá três voltas na tua própria casa”. A filosofia do apartidarismo não pressupõe a completa aversão às questões conjunturais e macroeconômicas que permeiam as principais bandeiras dos partidos políticos, mas sim a sua não priorização frente às dificuldades e demandas locais do estudantado. Dessa forma, antes de sair às ruas para defender pautas partidárias a nível municipal, estadual ou federal, as entidades estudantis devem trabalhar para sanar os problemas daqueles que elas representam, os estudantes, que muitas vezes são prejudicados pela falta de respaldo em relação às questões curriculares, à quebra de pré-requisitos, problemas para conseguir estágio ou bolsa, falta de infra-estrutura e salas mal equipadas, problemas nos restaurantes universitários, etc...

Portanto, ao ter seu fim no próprio estudante, a entidade estudantil que adota o apartidarismo, no modelo proposto pelo Movimento Estudantil Liberdade, passa a trabalhar por uma formação de qualidade através de ações concretas, buscando compreender e solucionar os problemas dos estudantes, bem como, a promoção da aproximação entre os corpos docente, discente e administrativo da Universidade. Dessa forma, o apartidarismo se torna a melhor filosofia para aqueles que se preocupam e querem representar com seriedade e dedicação os interesses dos estudantes.


*GABRIEL AFONSO MARCHESI LOPES é Atuário e Estatístico pela UFRGS. É acadêmico do Bacharelado em Matemática e da Pós-Graduação em Perícia e Auditoria na UFRGS. É fundador do Movimento Estudantil Liberdade e foi Representante Discentes na Comissão de Graduação em Estatística, no Departamento de Estatística e no Conselho do Instituto de Matemática da UFRGS. Não é filiado a partido político.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Se defendes o que defendo e propões o que proponho, estou contigo!

NOTA DE APOIO DO DCE LIVRE - MOVIMENTO ESTUDANTIL LIBERDADE À CHAPA 5

O DCE Livre – Movimento Estudantil Liberdade, através do presente, manifesta apoio à Chapa 5 – DCE Apartidário – Movimento Apartidário dos Estudantes que disputa as eleições para o Diretório Central dos Estudantes da PUCRS, nas eleições que ocorrerão nos próximos dias 14 e 15 de abril.

O Movimento Estudantil Liberdade foi o precursor na defesa dos apartidarismo dentro das entidades de Representação Discente. Fundado em 2006, por estudantes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, sob a égide “Um Movimento Estudantil pra Estudantes, não para militantes” construímos uma série de valores e princípios que entendemos serem fundamentais para entidades estudantis, de forma que as mesmas sejam mais representativas possíveis e trabalhem em prol dos estudantes e não de órgãos externos e estranhos à Academia.

Assim, os Princípios e Valores do DCE Livre – Movimento Estudantil Liberdade são:

1 – Pluralidade;
2 – Transparência;
3 – Movimento Estudantil de Resultados, com busca de benefícios concretos aos estudantes;
4 – Defesa da Excelência Acadêmica;
5 – Ensino voltado para o Empreendedorismo;
6 – Respeito à Propriedade Privada, às Leis, à Ordem e à Democracia;
7 – Defesa do Estado Democrático de Direito;
8 – Defesa da Liberdade como valor universal e fundamental do ser humano.

A Chapa 5 – DCE Apartidário – Movimento Apartidário dos Estudantes, assume como seus princípios e valores:

1 - O pluralismo, entendido como o respeito às diferentes formas de pensamento, o combate à intolerância e a atuação democrática nas entidades estudantis; 
2 - A transparência, com a realização periódica de prestação de contas na gestão das entidades estudantis, como fator importante para a representatividade destas; 
3 - O movimento estudantil de resultados, com a busca de benefícios concretos aos estudantes como um dos objetivos das entidades estudantis representativas; 
4 - A busca  da excelência acadêmica como forma de melhoria do ensino; 
5 - A busca de um ensino voltado aos interesse dos estudantes; 
6 - A defesa da democracia, do Estado de Direito e das garantias fundamentais; 
7 -A defesa da Liberdade como valor universal e fundamento da dignidade humana.

Assim, não há dúvidas de que o grupo partilha dos mesmos princípios e valores abraçados pelo Movimento Estudantil Liberdade.

Além disso, a Chapa 5 apresenta uma série de propostas para os estudantes que possuem grande similaridade com aquilo que o DCE Livre – Movimento Estudantil Liberdade tem proposto para a UFRGS nos últimos anos.

Em relação à Representação Discente, a Chapa 5 defende, entre outras propostas:
- Maior participação dos alunos nas decisões do DCE, através de consultas eletrônicas; 
- Eleições pela internet via Moodle; Site do DCE, Facebook e demais redes sociais para informar os estudantes das atividades da entidade; 
- Compromisso da nossa chapa de comparecer em todas as reuniões de todos os conselhos da PUCRS; 
- Defesas dos direitos acadêmicos dos alunos (planos de ensino, provas de recuperação, exames); 
(Clique aqui para visualizar as propostas do DCE Livre - Movimento Estudantil Liberdade para Representação Discente e aqui para visualizar as propostas para Transparência)

Quanto à Infra-estrutura, a Chapa 5 também defende, entre outras propostas:
- Defesa de um aumento pleno da Segurança nos campi da PUCRS, mais iluminação, câmeras e reforço no policiamento; 
- Instalação de pontos de água quente; 
- Aumento nas vagas dos bicicletários; Luta por instalação de ciclovia pelo menos até a PUCRS; 
- Melhorar iluminação do campus; 
- Melhoria do wifi em toda universidade e internet em rede aberta; 
- Acessibilidade para cadeirantes no RU e nos auditórios/teatros e afins; 
- Melhores vagas para cadeirantes e idosos nos estacionamentos; 
- Expansão das vagas no estacionamento descoberto.
(Clique aqui para visualizar as propostas do DCE Livre – Movimento Estudantil Liberdade para Infra-Estrutura e aqui para visualizar as propostas para Segurança)

Na parte de Eventos e Esportes, entre outras propostas, a Chapa 5 defende:
- Realização de uma Semana Acadêmica multidisciplinar, envolvendo temas da  atualidade de interesse a todos os cursos; 
- Serie de palestras voltadas ao empreendedorismo; 
- Incentivo à feira de oportunidades em cada curso; 
- Série de palestras voltadas ao desenvolvimento do espírito empreendedor; 
- Criação de mais atléticas na PUC-RS; 
- Organização de Campeonatos desportivos entre os Cursos da PUCRS; 
- Parque esportivo acessível a todos os alunos, com tarifa diferenciada
(Clique aqui para visualizar as propostas do DCE Livre – Movimento Estudantil Liberdade para nas áreas de Arte, Cultura e Esporte)

Por fim, a Chapa 5 defende para as áreas de Assistência Estudantil e Ensino, entre outras propostas:
ASSISTÊNCIA ESTUDANTIL
- Defender a melhoria da qualidade dos RU e a redução no preço.
- 1ª via do TRI de graça
- Banco de vagas de estágios
- Criação e virtualização de murais de estágios
(Clique aqui para visualizar as propostas do DCE Livre – Movimento Estudantil Liberdade para Assistência Estudantil)

ENSINO
- Pesquisa para avaliar os fatores causadores da evasão escolar.
- Defender a criação de políticas de combate à evasão escolar e repetência.
- Defender currículos voltados a áreas de interesse dos alunos.
- Defesa da excelência acadêmica.
- Exigir o uso da infraestrutura existente para cursos noturnos.
- Defender a criação de políticas de estímulo de plataformas virtuais de ensino.
- Realização de campanhas de orientação acadêmica aos alunos.
(Clique aqui para visualizar as propostas do DCE Livre – Movimento Estudantil Liberdade para Excelência Acadêmica)

Assim, como não podia ser diferente, considerando que a Chapa 5 possuí os mesmos princípios e valores do DCE Livre – Movimento Estudantil Liberdade, bem como, tem as mesmas propostas que nós para os estudantes, manifestamos nosso apoio à Chapa 5 – DCE Apartidário – Movimento Apartidário dos Estudantes.

sábado, 29 de março de 2014

Sobre a Ditadura Militar

Por Ronaldo Vainfas*

Considero patética a cobertura da mídia sobre os 50 anos do golpe de 64. A participação de muitos depoentes, aliás, consegue ser pior.

Hoje, na primeira página do Globo, apareceu o Tom Zé, dizendo que, como não constava da lista dos detentos (de alguma detenção temporária, até onde sei) achava que estava já condenado à morte. Uma piada, só pode ser piada. Ele foi militante de alguma organização? Os tropicalistas foram militantes da luta armada? Please, me esclareçam.

Pior foi ver a diva do teatro brasileiro, Fernanda Montenegro, dizendo que fora ameaçada de levar um tiro na testa em pleno teatro. Pode ser, em 64 ou 68, porque todos viviam apavorados. Mas em pleno 2014 alguém levar isto a sério, a começar por ela, a diva do nosso teatro, é de chorar.

Nem o fascismo de Mussolini mandou matar Giacomo Matteoti assim, em cena, com um tiro na testa. Foi tudo às escondidas, uma execução obsecena, não em cena - e ele era o líder socialista que mais se opunha ao Duce, em 1924. Os opositores do Terceiro Reich eram sequestrados na calada da noite ou do dia, a maioria foi presa ou eliminada, mas tudo na calada. Ernst Thälmann, líder do KPD, foi preso em 33 pela Gestapo e só executado em 44. Na calada.

Só pode ser piada o que dizem uns e outros sobre as ações da ditadura brasileira. Os agentes da repressão no Brasil devem dar gargalhadas. Quem sabe ficam indignados por serem tratados como idiotas. A própria ditadura não é levada a sério nesses depoimentos, enquanto regime repressivo. A maioria dos historiadores também endossa os mitos, sabe-se lá por qual razão.

Outro dia li, também no GLOBO, que a censura intelectual no ensino da história foi terrível. Dizia-se que, no nível médio, os livros do Aquino e do Chico Alencar eram proibidos em algumas escolas. Proibidos nada! Simplesmente não eram adotados por algumas escolas porque não passavam de marxismo vulgar, esquemático e chatíssimo. Mas vendiam a rodo, porque, nos anos 70, a maior parte do professorado era esquerdizante, ignorante - e recomendava tais manuais insossos para o alunado. História de mocinho contra bandido.

Na universidade, então... lia-se Marx, Engels, Lenin, Stalin, Lúkacz, Gramsci, Althusser. Tudo da esquerda tradicional. Livros em português, publicados por editoras brasileiras! CENSURA ZERO. Fui aluno de graduação da UFF nesta época e nunca vi censura nenhuma. Os militares não estavam nem aí para o que os estudantes liam na universidade. Desde que não se armassem para tentar revoluções à moda cubana, tudo bem. Sobravam, sim, grupos de estudo de "Das Kapital", em português, claro! A censura vinha dos esquerdizóides, em geral fraquíssimos, intelectualmente, contra autores ou professores não marxistas (que eram raros, mas sofriam bulling intenso, como se diz hoje).

O que a maioria dos pesquisadores produz hoje sobre o golpe de 64 é de embrulhar o estômago de historiadores comprometidos com o ofício, e não com ideologias ou mitologias interesseiras e interessadas.

Estou defendendo o golpe? Claro que não, embora os idiotas de plantão talvez pensem que sim.

Estou defendendo uma história levada a sério, não a carnavalização dela. Toda esta bobagem lembra o filme de Carla Camurati sobre Carlota Joaquina, tratada como ninfomaníaca: narrativa iniciada por um velho escocês à sua neta, contando a história de um país exótico. Ou a série global "O Quinto dos Infernos", com seu d. Pedro I garanhão, full time.

Esta série de matérias sobre 64 segue a linha histriônica e ignorante da história. Não faltam ex-perseguidos (em geral falsos perseguidos, que ganham bolsas-ditadura!) contando piadas sobre suas pretensas ou episódicas. Gente das artes, do teatro, do Pasquim!

Falando nisso, para terminar, numa das reportagens sobre a Casa da Morte, em Petrópolis, incluindo entrevista do próprio coronel Malhães confessando tudo (mortes, mutilações de corpos etc, sem nenhum arrependimento), alguém assinou matéria dizendo que o regime militar foi confiado a psicopatas. Que interpretação medíocre, pedestre!

Certamente quem escreveu a matéria desconhece o grande texto de Hanna Arendt, filósofa de origem judaica, incumbida de reportar o julgamento de ninguém menos do que Adolph Eichmann, em Jerusalém. O grande insight de Arendt em "A Banalidade do Mal", foi dizer que Eichmann era uma criatura medíocre, normalísima, apenas preocupado em encher os trens de judeus para Auchwitz e outros campos do III Reich. Banalidade do mal perpetrado por pessoas normais, não por psicopatas. Aí reside o nó. O perigo. Arendt foi além! Mostrou a colaboração das autoridades judaicas no Holocausto. A comunidade judaica ficou furiosa, claro. Saiu um filme sobre o assunto em 2014. Vale ver.

E o que era o coronel Malhães perto de Adolph Eichman? Poupemos a história - poupemo-nos - desta comparação.

Uma formiga, um verme, diante de uma barata.

Há boa bibliografia brasileira, embora rara - e bloqueada pelos ideólogos da resistência - tratando das colaboradores do regime ou da ditadura militar (ou ditadura civil-militar, como queiram), bem como sobre a complexidade social, política e intitucional do regime que começou em 64 e terminou em...79, 80, 84, 89.

Who Knows? Who cares?

As verdades das Comissões de Verdade são patéticas: expõem fatos verdadeiros que todos já sabiam.... As interpretações são piores. Podem inspirar algum samba de carnaval em 2015. Com tema politizado e lúgrube. Skindô nhô, nhô. Nada além disso.

A história sai perdendo. A memória ganha, incluindo seus acólitos e beneficiário$.


*RONALDO VAINFAS é licenciado em História pela Universidade Federal Fluminense (1978), onde também fez o mestrado em História do Brasil (1983). Em 1988, concluiu o doutorado em História Social pela Universidade de São Paulo. Em 2007, concluiu o pós-doutorado na Universidade de Lisboa. É considerado um dos principais historiadores do país, inclusive vencedor de prêmios como o Prêmio Literário 2009, concedido pela Fundação Biblioteca Nacional e um dos principais do Brasil.

sexta-feira, 28 de março de 2014

31 de março ou 1º de abril? Revolução ou golpe? Golpe ou contra-golpe? Militar ou civil e militar? Ditadura ou ditabranda?

Por Régis Antônio Coimbra*

Penso que foi um contra-golpe; que até pretendia ser uma medida pontual e auto-limitada que se corrompeu; que foi civil e militar; que iniciou ditabranda, complicou-se ditadura e terminou, novamente, ditabranda.

Só vivi com alguma clareza sobre o que estava vivendo na fase final de, nova e radicalmente, ditabranda. Tinha entre 15 e 16 anos em 1984, no então segundo grau (equivalente ao ensino médio atual), no Colégio Parobé, quando saímos brandando "greve geral derruba o general" e outras palavras de ordem abusadas. Curiosamente, a Brigada Militar diligentemente nos escoltava. Nosso objetivo: entregar uma carta com reivindicações para o secretário da educação. Fomos até ele, que nos recebeu e disse que faria o possível... Não lembro se voltamos em "formação" ou se dispersamos, mas eu saí profundamente confuso: como assim "greve geral derruba o general" e tudo bem? Perdi o respeito ali mesmo pela retórica da esquerda que, no caso, chutava um cachorro morto tentando despertar alguma reação e o acusar de violento etc.

Felizmente não vivi a ditabranda do governo de Castelo Branco. Fico pensando que destino teria eu fazendo o que faço hoje: ensinando sobre Karl Marx. Desconfio que poderia me render um afastamento do serviço público e que não adiantaria explicar que não sou marxista etc. No governo seguinte a consequência poderia ser muito, muuuito pior, pela mesma "traição".

Seja como for, acredito que com os valores que tenho hoje e com as informações que provavelmente teria na época eu apoiaria, em 1968, o contra-golpe. Com as informações que tenho hoje, no entanto, considero que não havia necessidade de derrubar Jango, um estancieiro populista brincando de comunista. No entanto, na época, e isso hoje é difícil de aceitar ou entender, tanto os pró-comunismo achavam que poderiam implantar mais ou menos sem traumas um socialismo mais ou menos "moreno" (como diria Brizola), quanto os anti-comunistas (dentre os quais me incluiria) temiam que pudesse ocorrer conforme uma série de sinalizações - o problema de se levar a sério populistas, cujo discurso é feito para agradar quem se pensa que pode ser agradado.

Jango fez uma série de apostas equivocadas que foram equivocadamente compradas pela classe média. Sem querer ofender os militares, os cachorros foram soltos e não voltaram para o canil. Inventaram-se novas razões para que ficassem soltos e, no meu entender, esse funesto resultado é a maior "contribuição" dos agora não raro celebrados como heróis da resistência pela democracia - os guerrilheiros que, não poucos, hoje ocupam importantes postos políticos, inclusive, no momento, a presidência da República.

Entre a truculência dos militares que, reitero, provavelmente me prenderiam e arrebentariam por eu discutir Marx (mesmo discordando, apontando falhas colossais, ainda que em parte decorrentes das limitações dos economistas clássicos do qual era tributário) e a defesa da democracia dos guerrilheiros, eu penso que a truculência dos militares me faria menos mal ou, fazendo mal, teria menor probabilidade de me "justiçar" ou contabilizar como "dano colateral" - ou, em hipótese menos catastrófica, o estatismo moderado dos militares me empobreceria menos do que me escravizaria o estatismo intermediário por tempo indeterminado (enquanto o comunismo não fosse viável mundialmente... o que certamente envolveria toda minha vida e de várias gerações...).


*RÉGIS ANTÔNIO COIMBRA é 1º Vice-Presidente do Movimento Estudantil Liberdade. Filósofo e advogado formado pela UFRGS. Especialista em Direito e Economia e, atualmente, é Acadêmico da Licenciatura em Dança pela UFRGS e Professor no Colégio Tiradentes da Brigada Militar.

domingo, 9 de março de 2014

O Dia Internacional da Mulher e o mito da greve de 1857

"Muitas pessoas creditam o dia da mulher ao incêncio da fábrica têxtil da Triangle Shirtwaist, que coincidentemente também ocorreu na cidade de Nova York no dia 25 de março de 1911, onde 146 trabalhadoras morreram queimadas por não conseguirem sair a tempo de dentro da fábrica.
Erroneamente muitas pessoas creditam a essa tragédia como um ato de tirania do empregador que trancou as mulheres e ateou fogo por elas exigirem melhores condições de trabalho. Essa história é falsa e nunca ocorreu, o incêndio sim e as mortes são verídicos, mas foi um trágico acidente." (clique aqui para mais detalhes)
Por Vito Giannotti*

Mito criado pelos esquerdistas
O que estamos acostumados a ler nos boletins de convocação do Dia da Mulher é a história de uma greve, que aconteceu em Nova Iorque, em 1857, na qual 129 operárias morreram depois de os patrões terem incendiado a fábrica ocupada.

A primeira menção a essa greve, sem nenhum dos detalhes que serão acrescentados posteriormente, aparece no jornal do Partido Comunista Francês, na véspera do 8 de Março de 1955. Mas onde se dá a fixação da data do 8 de março, devido a esta greve, é numa publicação, que apareceu em Berlim, na então República Democrática Alemã, da Federação Internacional Democrática das Mulheres. O boletim é de 1966.

O artigo fala rapidamente, em três linhas, do incêndio que teria ocorrido em 8 de março de 1857 e depois diz que em 1910, durante a 2ª Conferência da Mulher Socialista, a dirigente do Partido Socialdemocrata Alemão, Clara Zetkin, em lembrança à data da greve das tecelãs americanas, 53 anos antes, teria proposto o 8 de Março como data do Dia Internacional da Mulher.

A confusão feita pelo jornal L´Humanité não fala das 129 mulheres queimadas. Aonde se começa a falar desta mulheres queimadas é na publicação da Federação das Mulheres Alemã, alguns anos depois. Esta historinha fictícia teve origem, provavelmente, em duas outras greves ocorridas na mesma cidade de Nova Iorque, mas em outra época. A primeira foi uma longa greve real, de costureiras, que durou de 22 de novembro de 1909 a 15 de fevereiro de 1910.

A segunda foi uma outra greve, uma das tantas lutas da classe operária, no começo do século XX, nos EUA. Esta aconteceu na mesma cidade em 1911. Nessa greve, em 29 de março [corrigindo: 25 de Março], foi registrada a morte, durante um incêndio, causado pela falta de segurança nas péssimas instalações de uma fábrica têxtil, de 146 pessoas, na maioria mulheres imigrantes judias e italianas.

Esse incêndio foi, evidentemente, descrito pelos jornais socialistas, numerosos nos EUA naqueles anos, como um crime cometido pelos patrões, pelo capitalismo.

Essa fábrica pegando fogo, com dezenas de operárias se jogando do oitavo andar, em chamas, nos dá a pista do nascimento do mito daquela greve de 1857, na qual teriam morrido 129 operárias num incêndio provocado propositadamente pelos patrões.

E como se chegou a criar toda a história de 1857? Por que aquele ano? Por que nos EUA? A explicação, provavelmente, é a combinação de casualidades, sem plano diabólico pré-estabelecido. Assim como nascem todos os mitos.

A canadense Renée Côté pesquisou, durante dez anos, em todos os arquivos da Europa, EUA e Canadá e não encontrou nenhuma traça da greve de 1857. Nem nos jornais da grande imprensa da época, nem em qualquer outra fonte de memórias das lutas operárias.

Ela afirma e reafirma que essa greve nunca existiu. É um mito criado por causa da confusão com as greves de 1910; de 1911, nos EUA; e 1917, na Rússia.

Essa confusão se deu por motivos históricos políticos, ideológicos e psicológicos que ficarão claros no fim do artigo.

Pouco a pouco, o mito dessa greve das 129 operárias queimadas vivas se firmou e apagou da memória histórica das mulheres e dos homens outras datas reais de greves e congressos socialistas que determinaram o Dia das Mulheres, sua data de comemoração e seu caráter político.

Já em 1970, o mito das mulheres queimadas vivas estava firmado. Rapidamente foi feita a síntese de uma greve que nunca existiu, a de 1857, com as outras duas, de costureiras, que ocorreram em 1910 e 1911, em Nova Iorque.

Nesse ano de 1970, com centenas de milhares de mulheres americanas participando de enormes manifestações contra a guerra do Vietnã e com um forte movimento feminista, em Baltimore, EUA, é publicado o boletim Mulheres-Jornal da Libertação. Neste já se reafirmava e se consolidava a versão do mito de 1857.

Mas, na França, essa confusão não foi aceita tranqüilamente por todas e todos. O jornal nº 0, de 8 de março de 1977, História d´Elas, publicado em Paris, alerta para esta mistura de datas e diz que, em longas pesquisas, nada se encontrou sobre a famosa greve de Nova Iorque, em 1857. Mas o alerta não teve eco.

Dolores Farias, no seu artigo no Brasil de Fato, nº 2, nos lembra que, em 1975, a ONU declarou a década de 75 a 85 como a década da mulher e reconheceu o 8 de março como o seu dia. Logo após, em 1977, a Unesco reconhece oficialmente este dia como o Dia da Mulher, em homenagem às 129 operárias queimadas vivas.

No ano de 1978, o prefeito de Nova Iorque, na resolução nº 14, de 24/1, reafirma o 8 de março como Dia Internacional da Mulher, a ser comemorado oficialmente na cidade de Nova Iorque.

Na resolução, cita expressamente a greve das operárias de 1857, por aumento de salário e por 12 horas de trabalho diário, e mistura esta greve fictícia com uma greve real que começou em 20 de novembro de 1909. O mito estava fixado, firmado e consolidado. Agora era só repeti-lo.


*VITO GIANOTTI é escritor e coordenador do Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC), entidade que realiza cursos para dirigentes sindicais e jornalistas sobre comunicação sindical e popular.

quarta-feira, 5 de março de 2014

Para onde vai o dinheiro do DCE?

Sem conta bancária e realizando confecção do cartão TRI
através de terceiros, as finanças do DCE levantam suspeitas
O Movimento Estudantil Liberdade (MEL) foi fundado em 2006 por estudantes que não se sentiam representados pela Gestão do Diretório Central dos Estudantes da UFRGS (DCE/UFRGS). Entre as reclamações estava a falta de transparência da entidade com suas contas, onde não estava clara a origem e a aplicação dos recursos dos estudantes por parte da Executiva do DCE. Assim, desde o começo, a transparência foi um dos princípios fundamentais do MEL, norteando nossas ações.

A atual Gestão do DCE, oriunda da chapa DCE de Verdade, que foi apoiada pelo MEL nas últimas eleições e absorveu uma série de propostas e princípios do movimento, infelizmente não abraçou a bandeira da transparência. Esperávamos que houvesse prestações de contas mensais, com publicação dos balanços e das notas fiscais no site da entidade, de forma que suas contas fossem auditáveis e cada estudante pudesse saber de onde vem e para onde vai o nosso dinheiro, porém isto não aconteceu.

Para piorar a situação, a própria gestão DCE de Verdade divulgou que foram informados, pelo 1º Registro das Pessoas Jurídicas de Porto Alegre, da negativa do registro sua da Ata de Posse, o que acarretou a impossibilidade do DCE movimentar sua conta corrente. Sem a conta corrente, não existe controle das contas do DCE, logo não é possível saber quanto foi arrecadado pela entidade.

A preocupante situação também afronta o Estatuto do DCE, que dispõe em seu artigo 35 que “A movimentação financeira do DCE será feita através de conta bancária em banco estatal, cabendo conjuntamente ao 1º Tesoureiro e o Presidente (ou um dos Coordenadores) as assinaturas de cheques, bem como qualquer documento financeiro da entidade”.

Assim, temos que o regramento é claro ao afirmar que a movimentação da entidade se dá através de conta bancária com emissão de documentos assinados pelos representantes legais do DCE. Tal dispositivo não está no Estatuto do DCE por acaso, mas para garantir que não hajam fraudes com o dinheiro dos estudantes. A movimentação financeira realizada conforme determinado estatutariamente deixa lastros, isto é, documentos físicos passíveis de serem auditados. Logo, temos que a auditoria de lastro examina os documentos físicos envolvidos nas operações, enquanto a auditoria contábil valida as operações. Portanto, se temos as movimentações bancárias do DCE e as notas fiscais e recibos emitidos e recebidos pela Executiva, não há problemas na verificação da lisura das operações.

Ocorre que, estando o DCE impedido de movimentar sua conta bancária, temos uma situação que não apenas atenta contra o Estatuto da entidade, como também impede que se verifique, de forma a não restar dúvidas, a movimentação financeira feita pela Diretoria Executiva. Não é possível saber o que realmente a gestão tem feito com o dinheiro dos estudantes.

Ainda, outra situação que levanta suspeita é o fato de que o DCE tem emitido os cartões TRI, ao preço de R$8,00, e os cartões de passe livre intermunicipal para estudantes carentes, ao preço de R$17,30, através da União Estadual dos Estudantes do RS (UEE/RS). Ou seja, ao invés de realizar tais operações diretamente na EPTC, o DCE o faz por intermédio da UEE/RS, inclusive utilizando os adesivos da UEE/RS ao invés de utilizar os adesivos próprios do DCE/UFRGS.

Tal operação faz com que não possam ser identificados quantos cartões TRI e cartões de meia passagem foram efetivamente confeccionados pelo DCE, pois a contabilização dos cartões na EPTC é realizada como se eles tivessem sido feitos pela UEE/RS e não pelo DCE/UFRGS. Assim, temos mais uma operação realizada pela atual gestão, DCE de Verdade, que não possui controle e, portanto, não é auditável.

O resultado de tudo isso é terrível. Não é possível saber quanto entrou e quanto saiu de dinheiro, pois o DCE, contrariando o estatuto, não realiza operações por meio de conta bancária e, também, não é possível saber, através da EPTC, quantos cartões TRI e cartões de meia passagem foram confeccionados pela entidade, pois a Diretoria Executiva está utilizando a UEE/RS para realizar tal operação. Em suma, temos um terreno fértil para fraudes e desvios financeiros.

Vale lembrar que a confecção do Cartão TRI é a principal fonte de financiamento do DCE e movimenta milhares de reais por ano. Em 2010, quando o Movimento Estudantil Liberdade esteve à frente do DCE na Gestão DCE Livre, a arrecadação total do primeiro trimestre foi de R$17,687.58. Naquela época, o valor cobrado pelo Cartão TRI era de R$3,00. O valor cobrado pela Gestão DCE de Verdade é de R$8,00, ou seja, cerca de 2,67 vezes mais. Passados 4 anos, considerando o aumento no número de alunos e o aumento no valor cobrado pelo Cartão TRI, espera-se que a arrecadação da gestão DCE de Verdade no primeiro trimestre do mandato tenha sido de cerca de R$50.000,00.

Por tudo isso, os 50 mil reais que se espera que a gestão tenha arrecadado no 1º trimestre de mandato não são nada além de uma ficção contábil. Infelizmente, o agir temerário do DCE de Verdade impede que os estudantes saibam, precisamente, quanto se arrecadou em cartões TRI, em cartões de meia passagem, com venda de camisetas, pastas e mochilas, na festa de posse da gestão, etc... Foi criada uma situação onde o que vale é a palavra da Diretoria Executiva, basicamente sob o velho ditado “La Garantía Soy Yo”.

Insatisfação dentro da gestão. Diretor de
Assuntos Jurídicos pede que Presidente
pare de cobrar pela confecção do TRI
A situação é incômoda e tem causado mal-estar até entre os membros da diretoria do DCE. O Diretor de Assuntos Jurídicos do DCE/UFRGS, Vitor Neves da Fontoura, encaminhou ofício ao Presidente da entidade, Lucas Herbert Jones, recomendando que o DCE adotasse a proposta do Movimento Estudantil Liberdade de confecção gratuita do Cartão TRI, o que sanaria os problemas em relação a movimentação financeira do Cartão TRI por parte do DCE, pois o mesmo é feito de forma gratuita pela EPTC, sem custos para o DCE. Vale lembrar que não há dispêndio do DCE com os bolsistas que trabalham na entidade, pois os mesmos são pagos pela Secretaria de Assuntos Estudantis da UFRGS. Até o momento, não há relatos de resposta do Presidente do DCE para o ofício encaminhado por Vitor.

Portanto, o Movimento Estudantil Liberdade manifesta que esta situação é gravíssima e deve ser sanada com urgência pelo Diretório Central dos Estudantes da UFRGS e, caso o problema não seja solucionado, deve haver uma intervenção do Conselho de Entidades de Base (CEB) para que os interesses e o patrimônio dos estudantes da UFRGS não sejam dilapidados. A Gestão DCE de Verdade deve respeitar o Estatuto do DCE e realizar movimentações financeiras apenas através de contas bancárias, com emissão de recibos, cheques, notas fiscais e outros documentos comprobatórios dessa movimentação, bem como, deve encaminhar os pedidos de cartões TRI diretamente à EPTC, sem a intermediação de terceiros, de forma que haja registros de quantos cartões foram efetivamente confeccionados pela entidade.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

A Greve dos Rodoviários de Porto Alegre

Por Régis Antônio Coimbra*

Nessa greve interminável, para mim parece haver um conluio entre as empresas e os sindicatos, bem como uma conveniência política no conflito, isso é, um interesse estadual e federal no desgaste municipal.

Para os motoristas, são férias remuneradas - porque, apesar da ilegalidade total da greve do modo como ela se radicalizou, haverá "perdão" no "final", para que finalmente voltem ao trabalho - e para as empresas, relativa economia durante um período de pouco movimento e numa situação de passagens "pré-pagas" e efetiva capitalização de poder na negociação das suas remunerações que parecem tender por diversos interesses para um caráter cada vez mais desvinculado do preço da passagem.

A questão licitação tende a ser uma grande decepção. As barreiras para a entrada de um concorrente são muito grandes. Isso vale para empresas e para funcionários. Não há outras empresas em condições de substituir as que estão aí, nem motoristas em condições de substituir os que já estão empregados. Pode servir (não sei qual a real probabilidade ou do que depende mesmo havendo o raio da licitação) para dar um pouco mais de transparência num sistema realmente muito opaco e cheio de ruídos (notadamente peduricalhos).

Diminuir a jornada de trabalho é possível, mas de modo escalonado. Isso não quer dizer que seja uma boa ideia. Certamente envolveria severos custos adicionais num serviço sensível. Penso que é melhor investir na melhoria das condições de trabalho. Os tais de banheiros nos fins das linhas, ar condicionado etc são uma solução bem melhor e com melhor impacto na qualidade do serviço; reduzir a jornada de trabalho é o clássico remédio que justifica a manutenção da doença, a saber, as más condições de trabalho.


*RÉGIS ANTÔNIO COIMBRA é 1º Vice-Presidente do Movimento Estudantil Liberdade. Filósofo e advogado formado pela UFRGS. Especialista em Direito e Economia e, atualmente, é Acadêmico da Licenciatura em Dança pela UFRGS e Professor no Colégio Tiradentes da Brigada Militar.


Comentário do Jornalista Políbio Braga sobre a greve dos rodoviários em Porto Alegre
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