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sábado, 25 de agosto de 2012

Pressão do DCE Livre garante reinício das aulas na UFRGS

No último dia 22 de Agosto, o CEPE (Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão da UFRGS) debateu o calendário acadêmico para o 2º semestre do ano de 2012. O DCE Livre, grupo que sempre esteve na vanguarda da oposição à Greve, se fez presente na reunião, sendo representado por seu Presidente, Gabriel Afonso Marchesi Lopes, e por seu Vice-Presidente, Régis Antônio Coimbra.

Com 35 votos favoráveis, 9 contrários e duas abstenções, foi aprovada a proposta apresentada pela Pró-Reitoria da Graduação, que definiu o dia 27 de Agosto como a data de início do segundo semestre letivo.

A sessão foi marcada por intenso debate promovido por professores ligados à FACED (Faculdade de Educação) e por membros da atual Gestão do DCE da UFRGS “É Primavera”, que se posicionaram contra o início das aulas, tentando prolongar ao máximo a paralização que tanto tem prejudicado a comunidade acadêmica.

Ao fim da reunião, ficou decidido que a matrícula teria início às 0h do dia 23, iria até as 23h59min do dia 25 e que o resultado seria divulgado no dia 26, a partir das 12h.

Gabriel Marchesi e Régis Coimbra durante a reunião do
CEPE que aprovou o calendário acadêmico
Dessa forma, terminou a Greve que não trouxe absolutamente nenhum benefício para os estudantes da UFRGS e apenas prejudicou o calendário acadêmico, fazendo com que tenhamos que estudar em janeiro para repor os dias perdidos inutilmente.

Ainda, ficou claro o embuste e as mentiras propagadas pela atual Gestão “É Primavera”, que repetia religiosamente que o objetivo da greve era melhorar as condições de ensino, porém, como todos sabiam, bastou o Governo oferecer um aumento salarial para que docentes e técnico-administrativos abandonassem a greve, sem que houvesse qualquer proposta de melhoria na infra-estrutura das universidades.

Cabe lembrar que o DCE Livre, desde o início, participou ativamente das atividades relacionadas à Greve, buscando resguardar os interesses dos estudantes. Estivemos presentes na Assembléia Geral dos Estudantes do dia 11 de junho, onde nos manifestamos CONTRA a Greve. Fomos o único grupo de oposição a integrar o Comando de Mobilização, onde trabalhamos para que o foco fosse as demandas dos estudantes, e de onde nos retiramos após perceber que aquele órgão, controlado pela atual Gestão "É Primavera", servia apenas para fomentar a greve em consonância com os ditames de partidos políticos radicais.

A pressão junto aos conselheiros do CEPE e o trabalho desenvolvido pelo DCE Livre - Movimento Estudantil Liberdade - foi fundamental para aprovação da proposta da Pró-Reitoria de Graduação e subseqüente retomada das atividades na Universidade.

Enfim, parabenizamos os conselheiros do CEPE pela acertada decisão de aprovar o Calendário Acadêmico e desejamos um ótimo semestre para todos os estudantes da UFRGS.

Clique aqui para visualizar o Calendário Acadêmico de 2012/2.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

1ª Convenção do DCE Livre 2012

Ale Morales (Pedagogia), Gabriel Marchesi (Estatística),
Garibaldi (Sociais), Régis Coimbra (Dança), Rodrigo Peçanha
(Economia), Pâm Reid (Enfermagem)

Na última sexta-feira, dia 17 de Agosto, foi realizada a 1ª Convenção do DCE Livre - O Estudante em 1ª lugar! onde se discutiu a formação do grupo, as metas e estratégias para as eleições para o DCE da UFRGS e Conselhos Superiores.

Também foi apresentado um resumo de todo trabalho realizado no último ano pelo grupo, que se destacou como a principal voz de oposição à atual Gestão "É Primavera" do DCE da UFRGS.

Abaixo, o texto lido durante a Convenção:

Prezados Colegas,

Esta é a primeira reunião da chapa DCE Livre. É importante, neste momento, fazer um levantamento de tudo que se passou desde as últimas eleições. Em 2011, retomamos o projeto da chapa DCE Livre, cuja concepção se deu nos idos anos de 2006, através do Movimento Estudantil Liberdade. Nas últimas eleições, formamos um grupo pequeno e, dada nossa índole apartidária, com limitados recursos financeiros, pois cada centavo investido na campanha veio de nosso próprio bolso.

Em 2011, confeccionamos 50 cartazes e 100 panfletos em A2, 1000 folders em A4. Além disso, buscamos divulgar nossas informações em nosso blog, que teve 2.006 acessos em Outubro e 2.221 acessos em Novembro, totalizando 4.227 acessos. Isto nos rendeu o apoio de muitos estudantes, que até então desconheciam o nosso grupo.

Um movimento se nomeia por sua característica dinâmica e, assim, buscamos trabalhar neste ano de 2012, fortalecendo nosso grupo, divulgando nossas propostas e angariando novos colaboradores.

Continuamos com nossa divulgação através do blog liberdadeufrgs, que até a manhã de hoje já contava com 25.844 acessos, além dele, a partir de janeiro deste ano, reativamos o blog movimentoestudantilliberdade, que sem nenhuma divulgação, exceto aquela oriunda de pesquisas no google por nosso grupo, teve 4.735 acesso. Em síntese, buscaram conhecer nosso grupo e nossas propostas 30.579 vezes.

Além do blog, este ano trabalhamos através das redes sociais. Nosso twitter tem 198 seguidores. Nosso perfil no facebook se relaciona com outros 521 perfis e nossa comunidade conta com 504 membros. Tudo isso somente este ano

Também desenvolvemos nossas relações com a imprensa. Tivemos diversas matérias publicadas no site do Jornalista Políbio Braga, fomos notícia na coluna do Jornalista Affonso Ritter e na coluna do Flavio Pereira, do Jornal O Sul, demos entrevistas para a Rádio Guaíba, para o Correio do Povo e para a Revista ADverso, da ADUFRGS-Sindical. Possuímos uma relação mais sólida com a Imprensa que qualquer outro grupo de oposição à atual Gestão do DCE da UFRGS.

Mas um movimento não se resume a divulgar idéias e a dar entrevistas. O mais importante é participar ativamente da vida estudantil de nossa Universidade. Assim, no início do ano, em fevereiro, quando lançado o Edital do Programa de Benefícios 2012 da SAE, tivemos a gratificante notícia de saber que nosso projeto para que os estudantes ingressos através da permanência também tivessem direito aos mesmos benefícios da SAE fora aprovado.

Em março, comemoramos 6 anos do Movimento Estudantil Liberdade, que hoje se consolida como principal grupo de oposição. Em abril, estivemos presentes no vigésimo quinto Fórum da Liberdade, onde pudemos entrar em contato com diversos estudantes da UFRGS e de outras Universidades que possuem os mesmos idéias que nós.

Em maio, fomos protagonistas na defesa dos interesses estudantis durante as eleições para a Reitoria, quando fizemos campanha pela volta do Suco nos RUs e pelo direito de fala nas formaturas.

Em junho, junto com os servidores técnico-administrativos, defendemos o Voto Nulo na campanha para Reitor e, neste mesmo mês, participamos da Assembléia-Geral dos Estudantes da UFRGS, onde manifestamos nosso repúdio contra esta greve que a todos prejudica e serve apenas aos interesses dos partidos políticos.Também participamos da Assembléia-Geral dos Estudantes de Pedagogia e integramos o Comando de Mobilização, com o objetivo de defender os interesses legítimos dos estudantes, através da busca pela qualidade e pela Excelência Acadêmica.

Em julho, em virtude do Comando de Mobilização ter se tornado um instrumento cujo único objetivo era a defesa, não dos estudantes, mas da greve, o abandonamos e denunciamos a suspensão das atividades dos RUs por parte dos grevistas, no entendimento de que sendo este um serviço essencial, não poderia ser interrompido, sobretudo em razão dos prejuízos que traria aos estudantes. Denunciamos também a agressão sofrida pelos conselheiros do CONSUN durante a primeira reunião que debateu a continuidade das cotas na Universidade.

No presente mês de agosto, o Relatório Final da Comissão encarregada de avaliar o programa de Ações Afirmativas da UFRGS mencionou que um projeto apresentado por nós foi uma das referências utilizadas na reavaliação da proposta, reforçando nossa inserção no processo de tomada de decisões da Universidade e demonstrando que não somos um grupo meramente reivindicativo, mas propositivo, que apresenta soluções para os problemas importantes da comunidade acadêmica.

Ainda, fomos convidados e nos fizemos presentes no Ato pela Implantação de um DCE da UNIASSELVI, onde nos solidarizamos com os estudantes daquela instituição em sua busca por uma entidade que busque trabalhar por seus direitos.

Assim, concluo que sim, estamos fortalecidos, maduros e somos reconhecidos, na UFRGS e até em outras Instituições de Ensino Superior, como um grupo sólido e coerente na busca por benefícios concretos para os estudantes. Por isso, este ano, vamos ganhar as eleições para o DCE da UFRGS.

Muito obrigado,

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Reencontro com o Prof. Thomas Kesselring

Por Régis Antônio Coimbra*

Prof. Celso Marques, do Colégio de Aplicação, Prof. Thomas
Kesselring, da Universidade de Berna (Suiça) e Régis Antônio
Coimbra, Vice-Presidente do DCE Livre da UFRGS
Em 10 de agosto de 2012 (ontem, de minha perspectiva ao escrever, "agora"), tive a feliz oportunidade de reencontrar o prof. Thomas Kesselring palestrando sobre ética e economia, na sala 4 da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, onde estudei a partir de 2002 e me formei em janeiro de 2007. Eu fora aluno de Thomas há bem mais tempo, nos dois primeiros anos de minha Licenciatura em Filosofia, na mesma Universidade. Comecei esse curso em 1988, já no primeiro semestre cursando Filosofia Política com Thomas, então professor convidado ou algo assim.

Gostava de Thomas por ele se expressar de modo pausado e direto. Num primeiro momento pensei que fosse a dificuldade com a língua portuguesa, mas pude verificar que ele se expressa assim em outras línguas que supostamente lhe são mais familiares. Em certa medida eu o "persegui" na graduação em Filosofia e certa vez, ante meus trabalhos manuscritos com eventualmente mais de 50 páginas não muito bem concatenadas ele disse "Régis, teus trabalhos são muito longos e eu não posso me comprometer com todos os alunos de ler trabalhos assim, então tu faz teus próximos trabalhos só com 30 páginas..." Ele pensou um pouco no que havia dito e fez outra proposta: "...melhor: tu podes escrever quantas páginas quiseres, mas eu me comprometo a ler só as primeiras 30 páginas..."

Essa preocupação com peculiar interpretação da universalização de máximas reiterou-se nesse recente reencontro quando, já ao fim da conferência, ele comentou que sua viagem envolveu tantas toneladas de carbono adicionais na atmosfera o que não é universalizável, isso é, se todos ficarem viajando assim pelo globo, é muito carbono na atmosfera... Não tive tempo de avaliar o quão séria é tal preocupação e devo ressaltar que o professor é muito sutilmente brincalhão.

A palestra consistiu em em duas partes. A primeira foi um conjunto de de breves pinceladas (era engraçado como ele começava um assunto e lá pelas tantas observava que não queria se aprofundar nisso ou naquilo...) sobre: (1) a questão da ética aristotélica, uma ética no sentido da formação do caráter e de disposições a agir de modos socialmente valorizados e assim algo reciprocamente convenientes para vidas boas ou não muito ruins; (2) a questão dos sentimentos morais da abordagem de Adam Smith e Hume; (3) uma referência não muito clara (e no meu entender um tanto equívoca) sobre a ética de Kant e seu critério da universabilidade de uma máxima de ação; uma crítica feliz sobre a questão dos conflitos morais e uma também feliz interpretação da falha de Kant em entender a pertinência da mentira em certos contextos de conflito, ressalvando a validade da exigência da verdade em contextos claros ou não conflituosos... (4) um relato sobre a dificuldade em se pretender ensinar virtudes na Europa pelo uso hipócrita ou exibicionista da palavra "Tugend" (virtude) desde a segunda metade do século XIX; (5) uma análise da "regra de ouro" (trata ou próximo como queres que ele te trate, que serviu já de ponte para a segunda parte da conferência.

A segunda parte caracterizou-se por uma pertinente mas sempre difícil e perigosa abordagem de questões concretas contemporâneas, com ênfase na questão da capacidade do mercado de se auto-regular. Após uma discussão geral sobre a "regra de ouro", o prof. Thomas introduziu as questões sobre o mercado com o experimento mental no qual a regra de ouro colapsaria a instituição da pechincha. Questionei que o equilíbrio entre a oferta e a demanda ocorreria quase do mesmo modo (apenas invertida), dada a forma como ele formulara a regra de ouro na pechincha (grosso modo, uma inversão dos papéis); ele disse que obviamente não chegaria a um equilíbrio e o argumento dele ficou a princípio nisso. Depois ele deu outro exemplo, melhor formulado, do colapso da instituição da corrida na olimpíada, já que o que estivesse correndo diminuiria o passo para que os demais o alcançassem e assim por diante, de modo que todos chegassem empatados. Nesse ponto concordei e ele argumentou que a regra de ouro não funciona em situações de legítima concorrência mas sim nas de cooperação. No caso das competições, a regra de ouro funciona no sentido de todos respeitarem as regras de modo que os demais também as respeitem.

Na sequência o prof. Thomas comentou que não entende os neoliberais, os quais sugerem que o mercado é capaz de se auto-regular, e citou as crises mais ou menos recentes como provas de que os mercados não se conseguem regular, fazendo uma descrição algo simplória do que ocorreu, criticando o esforço de governos no sentido de salvar bancos e outros esboços de críticas dispersas como essas.

Passou-se então para a discussão dos membros da mesa e o representante da Escola Superior do Ministério Público começou dizendo que estava na mesa mais por representar a instituição que promovia o curso de especialização em Ética e Direito (ou algo assim) do que por conhecimentos ou capacidade de formular questões para o professor, no que eu me ofereci para o substituir e ele disse que assim que ele concluísse o protocolo que eu ficasse à vontade. Em outros momentos o próprio prof. Thomas fez algumas questões provavelmente retóricas que eu optei por entender e responder como perguntas diretas.

Após essas formalidades eu pedi para me manifestar e critiquei a descrição do prof. Thomas como muito simplificada e injusta e observei que só os anarco-capitalistas entre os neoliberais defendiam a total desnecessidade do estado e que não só não liam a parte dos sentimentos morais de Smith como mesmo não liam com atenção o como que estudo de caso feito por Smith do monopólio cristalizado por ação do estado. Observei que outros estudiosos posteriores a Smith exploraram melhor a questão observando que as alegadas falhas de mercado até ocorrem, mas de modo minudente e só se tornam grandes problemas pela influência do estado, o único capaz de dar estabilidade aos monopólios e cartéis. Contra-argumentei que as crises recentes não eram decorrentes só ou simplesmente de falhas de mercado em se auto-regular, sendo no meu entender uma complexa combinação onde, sim, os mercados tem limitações de auto-regulação mas os estados não só não os regularam como promoveram, mediante manipulação do câmbio (assumidamente mantido artificialmente baixo durante quase 20 anos por Greenspan), bem como o próprio estado americano como que "garantia" créditos imobiliários duvidosos, o que acabou levando à "bolha" especulativa imobiliária que estourou em 2008.

Observei ainda que a explicação do fenômeno em grande medida eu encontrei no livro de Barry Eichengreen, "A globalização do capital", no qual esse autor argumenta que a partir de 1870 com o crescimento da participação das populações na sustentação via eleições dos governos, nos EUA e na Europa, esses não puderam mais deixar que os bancos centrais se fixassem estritamente na estabilidade da moeda, pois assim não se conseguiam mais reeleger ou eleger sucessores, de modo que passaram a cobrar dos bancos centrais que buscassem o crescimento e o pleno emprego, o que acabou na análise dos economistas da escola austríaca a potencializar o efeito e duração das crises. Segundo esses economistas, quando o estado tenta interferir na economia, por ser um jogador grande demais, ele distorce o sistema de preços livres e torna impossível seja para o governo, seja para os empresários, saber no que investir, levando a erros acumulados que culminam nos ciclos econômicos ou, como dizemos mais recentemente, nas bolhas especulativas. Observei que lá por 1936 venceu politicamente a tese de Keynes, da necessidade dos estados de interferir na economia para evitar os ciclos mas que até hoje é academicamente controverso se a solução keynesiana mais ajuda ou atrapalha, isso é, se adia e minimiza as crises ou, ao contrário, as perpetua ou intensifica.

O prof. Thomas concordou que o estado também pode falhar e observou que não fazia muito sentido, de fato, criticar os neoliberais (ele parece usar o termo para se referir a anarco-capitalistas radicais), pois muitos se "converteram" ante os últimos eventos e o problema é que se não tem um outro modelo satisfatório. A discussão ficou um pouco confusa com algumas manifestações (algo típicas) de outras pessoas do público. Um sugeriu que se discutisse primeiro o que é "ser humano" e perguntei se havia um real problema que justificasse tal "passo a trás" como ele caracterizou; ele me questionou se eu tinha um conceito de humano e eu observei que não via nisso um problema já que, a princípio, não havia uma dúvida sobre quem incluir, que seria o caso se houvesse índios ou papeleiros que não estivessem sendo considerados adequadamente como humanos mas que, grosso modo não havia dúvidas sobre cada um de "nós" ser um ser humano e que determinada cadeira não é... Outro comentou que na cultura de seus ancestrais, indígenas não sei quais, tudo é humano e questionei se não seria tudo "digno" ou "sagrado"... mas o clima era mais no sentido de levantar problemas entre absurdos e exagerados. Ah... outro fez uma manifestação sobre seus sentimentos e exortou às revoluções individuais ou internas... ou pessoais, ou algo assim.

Também se iniciou alguma crítica ao lucro e observei que era espantoso como se continuavam discussões nesse sentido, calcadas num desamparo até compreensível em Marx, mas nem tanto após a solução de Bohm-Bawerk. Isso é, a busca do lucro não é mais do que a necessária remuneração do capitalista, que em parte pode ser cada um de nós mediante fundos de previdência ou aposentadoria, e dos empresários que buscam encontrar quem quer vender e quem quer comprar. Talvez os lucros devam ser diminuídos (e na verdade os lucros há muito tem sido diminuídos em relação às operações. Foram feitas algumas manifestações do tipo "está tudo pior" ou "nunca melhora" e observei que é ao contrário e exemplifiquei com o contraste do final da década de 1980, quando Thomas partiu de volta para a Europa e hoje...

Também se falou da necessidade de uma vida mais sustentável, não calcada no crescimento etc e observei que no médio prazo isso tendia a ocorrer até por um aumento dos custos de crescimento e que uma mudança abrupta provavelmente implicaria na morte em pouco tempo de um ou dois bilhões de pessoas, pois a comida não chegaria nas cidades, não adiantaria as pessoas saírem das cidades de volta ao campo e o que funciona bem com problemas simplesmente deixaria de funcionar sem que algo que supostamente funcionasse melhor passasse a funcionar sem que antes muitos morressem.

Também se discutiu sobre a solução cooperativa e observei que muitas discussões se resolvem via esclarecimento mas que quando isso falha as questões se resolvem pela força. Discutiu-se o monopólio da violência pelo estado e observei que a força influi também no domínio do estado, que não é um domínio "só" racional. Observei que o que chamamos de razão, quando a contrapomos às paixões, segundo Hume, geralmente são também paixões ou sentimentos mais "calmos" que não identificamos como paixão e supomos ser "razão" e que, nesse sentido, é possível uma naturalização de boa parte do que chamamos de "razão"; em especial, observei que em impasses entre um "capitalista" querendo explorar um terreno e um índio ou ativista dizendo que o terreno tal (ou todos...) é sagrado se resolve pela força, pela violência. O prof. Thomas observara que as culturas são respostas adaptativas a certos desafios econômicos e explorei algo maldosamente o argumento observando que historicamente somos descendentes e tributários de uma cultura que dizimou os índios e que nossa discussão era garantida por alguns massacres dos que se opunham ao interesse dos capitalistas.

O prof. Thomas observou que se eu queria defender de modo radical uma teoria da solução pela força eu entrava em contradição (performativa, presumo) já que estava tentando argumentar... mas objetei que isso valeria se eu dissesse que só pela força se resolvem as questões, e eu reconhecia que muitas vezes numa discussão se chegam a acordos e mesmo a um convencimento, na linha "quem sabe não seria melhor se explorarmos isso assim e assado..." mas, claro, que se houver impasse, vence quem tem mais força e o fato de o estado por meio de um sistema de "legitimação" disfarçar o uso da força não deixa de resolver o impasse "na porrada", vencendo não quem tem razão mas quem tem mais força (maiores números, melhor publicidade, melhores armas etc).

Observei, ainda, que embora não haja um critério objetivo para determinarmos que um ser humano tem maior valor do que uma barata (em algum momento isso foi aventado...), tendemos a empatizar mais com um ser humano do que com uma barata e, assim, entre salvar uma barata e um ser humano num incêndio, geralmente optamos pelo ser humano... Não se trata nesse caso de razões mas de interesses ou "paixões" mais ou menos calmas que tendemos a racionalizar.

Observei, ainda, que um outro problema que me parecia relevante era o de que alguns dos sentimentos morais que se desenvolveram durante a evolução biológica da espécie humana e receberam diferentes como que recepções, amplificações ou focalizações pelas diferentes culturas em parte não dão conta da complexidade das sociedades contemporâneas, com muitos fenômenos de massa, e observei que Weber tinha sua distinção de certo interessante para analisar o problema da ética das convicções, relativas à vida privada ou de pequenos grupos, num âmbito relativamente privado, e a ética da responsabilidade, relativa ao governo de grandes massas, num âmbito mais público ou político.

Assim várias discussões foram levantadas de modo muito elementar e mesmo ingênuo e não tive constrangimento de me contrapor a cada uma. Talvez não tenha ficado claro o objetivo do prof. Thomas ou seu objetivo não fosse intrinsecamente claro. Talvez a pretensão feliz do prof. de discutir questões práticas ou mesmo concretas tenha esbarrado na falta de conhecimentos do prof. dos assuntos práticos ou concretos que pretendeu discutir, ou à exiguidade de tempo para os tratar apenas com os esboços de ferramentas trazidos por ele na primeira parte da conferência.

Seja como for, embora não tenha sido um grande desafio intelectual, foi muito divertido reencontrar o prof. Thomas. Também estava presente o prof. Celso Marques, que foi o titular da turma do Colégio de Aplicação com a qual fiz meu estágio na Licenciatura em Filosofia. O prof. Celso é muito ligado à questões ecológicas e após a conferência discutimos um pouco sobre e outros assuntos. Aproveitei e pedi para tirar uma foto com os dois professores. Meu plano era ficar no meio dos dois, mas o prof. Celso preferiu colocar o prof. Thomas no centro (ou ficar ao lado dele, hehe).

*RÉGIS ANTÔNIO COIMBRA é filósofo e advogado formado pela UFRGS. Especialista em Direito e Economia e, atualmente, é Acadêmico da Licenciatura em Dança pela UFRGS.

sábado, 11 de agosto de 2012

Opressões mais ou menos involuntárias e hipercompensações

Por Régis Antônio Coimbra*

Heterossexuais e brancos não são coitadinhos. Vivemos numa sociedade onde mesmo quando há predominância de negros e grande número de homossexuais, há uma heteronormatividade "branca" e "masculina". O "padrão" ou "normal" é o homem branco heterossexual de classe média. Isso certamente tem um efeito de opressão sobre quem não se aproxima desse padrão, incluindo mulheres, homossexuais, negros etc.

Um homem branco heterossexual de classe média não precisa ser racista ou homofóbico, nem "capitalista explorador malvado" ou algo assim por ter "orgulho" por ser o que ou como é. "Orgulho" no contexto dessa discussão significa muitas coisas entre não ter vergonha e sentir contentamento por ser ou estar tal coisa ou de tal modo.

Não há mérito no sentido de uma conquista pelo esforço em ser homem, branco e heterossexual, mas em nossa cultura é um pouco como estar na hora e lugar certos. Nesse sentido, era talvez melhor ser branco etc há 30 ou 40 anos e certamente era pior ser negro, mulher, gay. Relativizo o "melhor" para os brancos, homens, heterossexuais porque há muito de alienação nessa "normalidade" branca, heterossexual, masculina etc. Pessoas nessa condição tinham "privilégios" que não eram percebidos como privilégios e que envolviam um empobrecimento cultural geral. Nesse sentido, questiono que se beneficiavam e enfatizo que o prejuízo de quem não tinha o status "alfa" não decorria de uma intenção de prejudicar da parte de quem o detinha.

Ressalvo isso para argumentar que é deveras equivocado questionar a heteronormatividade branca, masculina, "burguesa" com uma como que criminalização dessa posição. Há uma sutil mas relevante diferença entre oprimir valendo-se de preconceitos da cultura e usufruir a como que cidadania plena de quem tem os atributos mais valorizados de uma cultura, ainda que sem mérito decorrente do esforço.

É positivo que aqueles pertencentes a "minorias" (aspas porque podem ser numericamente mais numerosos... trata-se de uma questão de reconhecimento, de influência) afirmem seu "orgulho", mas é importante que se entenda que também não há mérito em apenas ser negro, gay ou mulher, embora se possa reconhecer que com tais características ou em tais estados passa geralmente por maiores dificuldades para fazer as mesmas coisas que um homem branco etc. É um pouco como a preferência não só para quem é portador de deficiência física permanente ou irreversível (como um perneta ou idoso), mas também para quem está grávida ou com as articulações do tornozelo e do joelho imobilizadas para corrigir alguma lesão na perna.

As ações afirmativas visam atender as necessidades especiais, inclusive decorrentes de aspectos estritamente culturais, também com impacto não apenas individual inclusive sociais. Não se visa prejudicar os demais, embora os demais possam ser prejudicados, e isso ocorre de modo mais corriqueiro sempre que alguns bens ou serviços associados a faixas de renda ou perfis de consumo são mais pesadamente tributados, ou quando diretamente faixas de renda são diferentemente tributadas. Visa-se dar uma compensação razoável a quem precisa com custos também razoáveis para quem pode arcar.

As discussões a respeito talvez precisem envolver também o questionamento ou denúncia abusos seja de quem tenta manter privilégios indevidos, explorando a inércia cultural (isso é... já que está assim e me beneficia... vamos deixar assim), seja de quem abusa dos esforços coletivos no sentido de uma nova e mais justa e rica organização cultural (na linha "...'vocês' nos oprimiram por séculos... agora vão ter de pagar por isso..."). No entanto, o foco mais interessante é o sobre quais custos precisam ser compensados e quem os pode suportar.

É a sociedade como um todo quem "deve" suportar os custos, mas alguns indivíduos ou grupos tem a capacidade para suportar tais custos. Assim, não se trata de pôr o dedo na cara "do" homem branco, heterossexual e de classe média e dizer que agora ele vai pagar pelos anos de opressão e blá-blá-blá. Mas, claro, oprimidos não são mais justos ou inteligentes só por serem oprimidos. Ao contrário, eventualmente são mais desconfiados ou embrutecidos pelos traumas da vida de opressão etc. Então, assim como alguns brancos heterossexuais de classe média são lamentável, danosa mas compreensivelmente acomodados, alguns oprimidos são lamentável, danosa mas compreensivelmente rancorosos.

É importante não alimentar as posições rancorosas ou acomodadas - e pôr o dedo na cara dos "acomodados" nos seus privilégios é uma forma contraproducente conquanto os coloca numa posição também compreensivelmente defensiva e, lembrando, eles efetivamente tem mais poder e é burrice os transformar em inimigos, quando a rigor são vítimas menos graves da mesma armadilha cultural. Um homem branco, heterossexual e de classe média pode mesmo passar de uma posição inicial de simpatia por um "oprimido" a uma posição defensiva ante abusos efetivamente abusivos de alguns ou mesmo muitos que exageram ao passar das legítimas reivindicações às recriminações "objetivas" - algo como culpar Fulano pelo que supostamente seu avô teria feito.


*RÉGIS ANTÔNIO COIMBRA é filósofo e advogado formado pela UFRGS. Especialista em Direito e Economia e, atualmente, é Acadêmico da Licenciatura em Dança pela UFRGS.

domingo, 5 de agosto de 2012

Ato pela Implantação de um DCE na UNIASSELVI

O DCE Livre – Movimento Estudantil Liberdade participou, neste sábado, do Ato pela Implantação de um DCE na Uniasselvi Pólo PoA-RS, organizado pelo Movimento Quero um DCE no IERGS/UNIASSELVI. A principal motivação do ato foi a resistência da Reitoria daquela entidade em aceitar a criação de tal representação estudantil, não obstante ser garantido por lei (Lei nº 7.395/85) o direito dos estudantes organizarem-se livremente.

O Movimento Estudantil Liberdade foi representado por seu Presidente, Gabriel Afonso Marchesi Lopes, e Vice-Presidente, Régis Antônio Coimbra, que manifestaram apoio à criação daquele Diretório Central dos Estudantes salientando a importância do mesmo enquanto mediador das relações entre instituição, docentes e discentes, bem como seu papel facilitador na busca por benefícios concretos para os estudantes.


Entendemos que, no Estado Democrático de Direto, é inadmissível o cerceamento de garantia tão fundamental quanto a de livre associação. Sendo o indivíduo hipossuficiente em sua relação com a Universidade, faz-se extremamente importante, afim de resguardar sua dignidade e necessidades, a existência de uma instituição cujo objetivo é representá-lo e, assim, equiparar forças nesta relação.

Enfim, novamente o DCE Livre – Movimento Estudantil Liberdade manifesta todo o seu apoio e se coloca à disposição do grupo que está organizando o DCE na Uniasselvi Pólo Poa-RS e aproveita para parabenizá-los não apenas pela iniciativa, que acreditamos ser muito importante para todos os Estudantes da Uniasselvi, mas também pela organização e disciplina do ato, que teve horário de início e fim, contou com o apoio da EPTC, que cuidou para que o ato não atrapalhasse o trânsito, teve respeito para com os estudantes que estavam em aula, diminuindo o volume do som durante o horário das provas e só aumentando nos intervalos e, mesmo diante da triste atitude da administração da Uniasselvi, que se recusou a receber pessoalmente a Ata de Criação do DCE, tiveram uma postura correta entregando os documentos junto à secretaria ao invés de fazer baderna como ocorre em outros lugares. Tudo isso só demonstra a seriedade e o comprometimento do grupo que está empenhado em construir esta representação estudantil, que certamente fará a diferença para todos aqueles estudantes.

sábado, 4 de agosto de 2012

Projeto do DCE Livre garante que as Cotas na UFRGS não aumentem

Reunião entre Régis Antônio Coimbra, Vice-Presidente do
DCE Livre, e o Presidente em Exercício do TRF4 onde se discutiu
o sistema de Cotas na UFRGS
A Universidade Federal do Rio Grande do Sul re-avaliou, nesta sexta-feira, sua política de Cotas. Neste sentido, o DCE Livre – Movimento Estudantil Liberdade foi o único grupo a apresentar um amplo projeto discutindo seriamente a proposta, protocolado sob o número 23078.014712/07-11 (para ler o texto integral, clique aqui).

Tal projeto foi base para a rediscussão do Programa de Ações Afirmativas da Universidade e o que garantiu a manutenção das cotas no patamar de 30% e a não desvinculação das cotas sociais e raciais, sendo inclusive citado no Relatório Final da Comissão de Avaliação da Política de Ações Afirmativa (para ler o texto integral, clique aqui).

De fato, o DCE Livre sempre esteve na vanguarda da discussão sobre a Política de Ações Afirmativas na Universidade, que temos discutido desde 2007. Este ano, em especial, o Vice-Presidente do DCE Livre Régis Antônio Coimbra, autor do projeto apresentado ao Conselho Universitário (CONSUN), deu entrevistas sobre o tema para o Correio do Povo (para ler a entrevista, clique aqui) e para a Revista Adverso, publicação da ADUFRGS-Sindical (para ler a entrevista, clique aqui).

Entendemos que é urgente a implantação de ações afirmativas pela sociedade brasileira e gaúcha, tendo nisso a UFRGS responsabilidade peculiar, porém fazendo as devidas críticas ao modelo atualmente adotado, no sentido de que o atual modelo é:

1 - ineficiente para pobres, pelo caráter paliativo, e com foco primário no ingresso artificial e apenas secundário na permanência (até a conclusão);

2 - contraproducente para negros, por introduzir ou exacerbar uma percepção de rivalidade racial;

3 - quantitativamente pouco expressivo se aplicado à UFRGS ou às instituições estatais de ensino superior em geral, conquanto estas representam uma pequena fração das vagas do ensino superior como um todo

4 - qualitativamente temerário se aplicado à UFRGS ou às instituições estatais de ensino superior em geral, conquanto estas não primam tanto pela excelência do ensino e sim do aprendizado, tendo sua notória excelência calcada na seleção – por sua vez operada pelo atrativo da gratuidade e da reputação de excelência das mesmas combinado com a acirrada competição pelas vagas nos concursos vestibulares – dos alunos com melhores aptidões ou mais favoráveis condições materiais e culturais familiares para a dedicação aos estudos – de tal modo que uma mudança radical (envolvendo 40% do total dos alunos em cada curso) tende a alterar significativamente o perfil dos alunos e dos cursos destas universidades.

Nossa principal crítica reside no modo como o sistema está sendo inserido nas universidades, que acaba sendo mais corporativista que propriamente social, visto que considera apenas o fato do indivíduo ter estudado ou não em escola pública e não leva em consideração a questão mais importante que é a renda.

Ainda, no ponto específico das cotas raciais, a desvinculação do caráter social, como propunha a atual gestão do DCE da UFRGS “É Primavera” acarreta na situação onde, visto a desnecessidade de se ter cursado o ensino público estatal, negros oriundos das classes média e alta, que tiveram o ensino em boas instituições privadas, teriam mais chances de entrar na Universidade que aqueles das camadas pobres da população e que mais precisariam do benefício.

Assim, não havendo revisão do sistema, ao menos se garantiu que o percentual de vagas reservado às ações afirmativas se mantivesse nos atuais 30% e, além disso, garantiu-se também a não desvinculação das cotas raciais e sociais, haja vista que tal desvinculação apenas prejudicaria os negros das classes sociais mais baixas, beneficiando indivíduos com maior poder aquisitivo.

sábado, 28 de julho de 2012

Acionistas em greve - massas de capitalistas acabando com a luta de classes

Por Régis Antônio Coimbra*

Só não vejo no trabalho dos técnicos um trabalho manual ou não intelectual. Talvez se possa dizer que é um trabalho de apoio.

O capitalismo não valoriza o trabalho intelectual mais do que o manual, mas sim o trabalho desejado e que poucos conseguem fazer pelos mais diversos tipos de barreira, desde a experiência à graça, passando pela eficiência ou estilo que por qualquer razão seja valorizado (como o da celebridade cuja identidade confere valor a um trabalho, reportagem etc).

Numa sociedade pós-classes marxista o que temos são homens integrais, todos capazes de participar tanto das grandes decisões quanto da faxina. Como, em tese, são todos em média igualmente capazes, não há necessidade de um juiz e de um escrivão, ou de um professor e de um bibliotecário... e de um faxineiro. Em média, todos se podem revezar nas mais diversas tarefas. Mas... isso faz algum sentido?

Um grande enigma em Marx é se uma sociedade pós classes seria igualitária, ou em que sentido o seria. Vários grupos mesmo com interesse econômico podem ser compostos basicamente com pessoas de mesma formação e qualificação e, mesmo assim, tende a haver uma forte divisão de tarefas e diferenças de patamar remuneratório, seja em dinheiro, seja em reconhecimento.

É improvável que isso desapareça mesmo numa sociedade sem classes, salvo algum sistema de equivalência via próteses que leve todos a empatar em termos de competências diversas. A imagem não precisa ser distópica, num sistema repressor do talento; pode ser no sentido da supressão de deficiências.

No entanto, um igualitarismo radical é improvável se houver algum grau de especialização bem como se houver crises ou urgências que exijam e valorem competências específicas que se podem descobrir mesmo no calor das situações, gerando lideranças diversas. Um igualitarismo que não é de se jogar fora tende a se acentuar no sentido da supressão das tarefas mais subalternas por máquinas, inclusive com certos graus ou tipos de inteligência, capazes de fazer a faxina ou o trabalho mais bruto de pesquisa textual, por exemplo.

Num experimento mental de uma sociedade pós classes e mesmo pós industrial no qual todos são vendedores do próprio talento que, em última análise, pode ser o "talento" de ser simpático (ainda que de modos paradoxais) ou "sexy" - uma economia da sedução - é presumível que haja uma curva normal de talentos ou de reconhecimento de talentos. Não se trata de uma utopia na qual não há problemas, mas de uma situação na qual não se tem o problema da exploração de uma classe por outra.

O pagamento mesmo hoje não é todo em dinheiro, sob a forma de juro, lucro, salário ou honorários. Além de vantagens indiretas bem conhecidas como plano de saúde ou aposentadoria, ou descontos em farmácias, academias de ginástica ou bancos, há também as mais sutis relativas a simplesmente pertencer a uma corporação, grupo étnico, gênero (sexual) ou "indústria" mais organizada ou valorizada. Um servidor público, por exemplo, por ter maior estabilidade remuneratória, tende a pagar juros mais baixos em bancos; mulheres, por se envolverem menos em acidentes de trânsito graves, tendem a pagar menores seguros de automóveis (furto, roubo, danos materiais e pessoais próprios e de - causados contra - terceiros).

Nisso, aliás, é de se considerar uma grande gama de questões não muito abordadas por Marx ou pelos marxistas, como o das externalidades, isso é, dos custos que não aparecem (não por estarem escondidos, mas por não serem cobrados) nos preços, como a da tripla jornada de trabalho das mulheres, ou os custos ambientais. Também a necessidade de poupança e, enfim, boas decisões econômicas.

Não tanto por uma revolução violenta virando a mesa de discussões mas por mudanças sutis como a redução da fecundidade das populações, o cenário estudado por Marx em enorme medida desapareceu. Não existe mais um proletariado crescente, com enorme exército de reserva (de trabalhadores). Também não há crises recorrentes de superprodução e subconsumo por falta de capacidade de consumo da parte dos trabalhadores - ao contrário, os trabalhadores mesmo mais subalternos são capazes de consumo e mesmo de poupança, embora em muitas sociedades (como a brasileira) não sejam estimulados a isso.

Se um faxineiro é capaz de poupança e outro tem crédito, ambos são capitalistas, inclusive capazes de investir, seja emprestando a juros por conta própria, seja depositando numa conta remunerada bancária, seja comprando ações ou montando um negócio próprio. Não é uma "acabada" sociedade sem classes, mas certamente não é a sociedade de classes descrita por Marx como radicalizada no capitalismo.

Pode-se argumentar que assim como a empresa em geral pode ser descrita como um feixe de contratos, os bancos são feixes ainda mais centralizadores de decisões econômicas individuais. Nisso o principal problema não é o da exploração de uma classe por outra, mas problemas clássicos de agência, em que, assim como na política contemporânea, a economia contemporânea é dividida em mais ou menos pequenos investidores (pessoas físicas, pequenas ou até relativamente grandes empresas) e em grandes agenciadores desses investimentos - os bancos, os quais, no entanto, podem eles mesmos ser objeto de investimento dos pequenos investidores.

O problema seja pelo aspecto político, seja pela perspectiva econômico (divisão problemática) está na ficção (ou limites) das assembleias gerais, das eleições ou votações em geral.



*RÉGIS ANTÔNIO COIMBRA é filósofo e advogado formado pela UFRGS. Especialista em Direito e Economia e, atualmente, é Acadêmico da Licenciatura em Dança pela UFRGS.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Conselheiros do CONSUN são agredidos durante discussão sobre as cotas

Representante Discente Renan Pretto cercado por militantes
esquerdistas que agrediam os conselheiros do CONSUN
durante a reunião de hoje

Na UFRGS, é pública e amplamente conhecida a tática utilizada pelos grupos radicais de esquerda que, ao invés de defenderem suas propostas através do diálogo, se utilizam de agressões físicas e verbais para impor sua vontade. Esses mesmos indivíduos, que tanto criticam as ações do Regime Militar, não titubeiam na hora de usar de violência física contra quem pensa diferente deles, pois sabem que não serão punidos por seus atos.

Assim, em 2007, quando se deram os primeiros debates sobre as cotas, tais grupos lançaram mão a diversos atos de vandalismo e violência. Dias antes da votação, picharam os muros no entorno da UFRGS com frases racistas e, então, foram à imprensa para acusar a oposição de ser autora dos atos que eles mesmos praticaram. No dia da votação sobre as cotas, agrediram fisicamente quem era contrário à proposta, em especial o Representante Docente Professor Jair Ferreira e a Representante Discente Claudia Thompson, além de manterem em cárcere privado diversos conselheiros do CONSUN (Conselho Universitário). Quem tentava sair da sala era espancado pelos militantes e empurrado de volta. O pior de tudo é que, para esses grupos, tais atos são considerados normais e “aulas de democracia”.

Neste ano, as cotas voltaram à pauta do CONSUN, onde o programa foi rediscutido. Novamente, puseram em prática a velha e conhecida tática do “Corredor Polonês”. Assim, postaram-se às portas da Reitoria da UFRGS e, conforme os conselheiros iam chegando, eles iam sendo ameaçados verbalmente, coagidos da maneira mais baixa possível. Ainda, aqueles que não demonstrassem medo frente aos xingamentos eram agredidos com chutes e tapas na cabeça.

"Corredor Polonês" na entrada da Reitoria da UFRGS, nota-se
no canto à direita um manifestante armado com um pedaço de
madeira (clique na imagem para ampliar)
O que mais assusta neste cenário é o fato de que isto se dá em uma Universidade Federal. São estudantes universitários de uma das mais importantes universidades do país que estão agindo como animais e, movidos por uma doutrina socialista, atacam seus colegas estudantes, seus professores e os funcionários da UFRGS, tudo sob as vistas grossas da Reitoria, que não faz nada para impedir essa brutalidade.

Até quando vamos aceitar, impassíveis, que isso aconteça? Será sempre a força bruta prevalecendo sobre o diálogo?

Por fim, o DCE Livre repudia com a máxima veemência e deplora as agressões promovidas no dia de hoje pelos grupos de esquerda da UFRGS e manifesta que isto tem que ter um fim, os responsáveis por tais agressões não podem, mais uma vez, ficar impunes, pois a impunidade só incentiva a repetição de tais ações que a cada vez estão mais violentas.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Fome dos Estudantes usada como instrumento de greve

A UFRGS conta atualmente com 5 restaurantes universitários, nos Campi Centro, Saúde, Vale, ESEF e na Faculdade de Agronomia, que tem por finalidade o preparo e distribuição de refeições ao corpo discente, docente e técnico administrativo da universidade.

As refeições são servidas ao preço de R$1,30 para os estudantes em geral e R$0,50 para os alunos carentes, principais usuários.

Com a greve dos servidores, os RUs deixaram de funcionar, apesar de ser um serviço essencial para os discentes, visto que muitos continuam tendo aula, pois não houve adesão dos Docentes à greve.

Coordenador de Movimento Estudantil do DCE UFRGS
ex-Assistente Parlamentar da Bancada do PSOL/PoA
A atual Gestão do DCE da UFRGS, porém, ao invés de se posicionar ao lado dos estudantes e reivindicar o funcionamento dos RUs, prefere agir como a Rainha Maria Antonieta da França (déspota decapitada durante a Revolução Francesa) e dizer “Se não têm pão, que comam brioches” ou mais propriamente como disse um membro da atual Gestão “Todos os membros do DCE que ainda estão tendo aula como eu, (SIC) está comendo sanduíche ou trazendo comida de casa”, o que demonstra que se esquecem totalmente, por exemplo, dos moradores das Casas de Estudantes, que dependem exclusivamente dos RUs.

Outros justificam o apoio ao fechamento dos RUs como forma de pressionar o Governo Federal, ou seja, usam-se da fome dos estudantes para promover as bandeiras de seus partidos políticos.

Há na História um referencial para tal ato, que foi o que ocorreu na Ucrânia entre 1932-1933 e ficou conhecido como Holodomor, quando milhões de pessoas morreram de fome por conta da política esquerdista naquele país.

É inaceitável que se promova fome entre os estudantes com qualquer que seja o objetivo. É uma atitude desumana e que fere a dignidade de todo o corpo discente da Universidade. Apesar disso, a posição dos grevistas é de que “se a greve não for danosa ela não tem efeito”.

Não estamos questionando o direito de greve e nem o teor das reivindicações dos grevistas, mas o atendimento de um serviço imprescindível, uma vez que consta na Lei de Greve (Lei 7.783/89) a obrigatoriedade da manutenção da prestação dos serviços indispensáveis ao atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade (art. 11), constituindo abuso do direito de greve a sua inobservância (art. 14).

Ninguém tem dúvidas de que a alimentação é uma necessidade indispensável.

Assim, deploramos e repudiamos a atitude da atual Gestão do DCE da UFRGS, que mais uma vez se posiciona contra os estudantes ao ser favorável à manutenção do fechamento dos RUs por parte dos grevistas.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Invalidação da Assembléia Geral e Renúncia da atual Gestão do DCE da UFRGS

Ocorreu na manhã desta segunda-feira, dia 02 de julho, mais uma Assembléia Geral dos Estudantes da UFRGS, novamente organizada por grupos políticos ligados ao PSoL e ao PSTU.

Em razão das baixarias cometidas por grupos extremistas de esquerda que impediam, através de gritos, palavras de ordem e xingamentos, os estudantes não alinhados com seus partidos de se manifestarem na última Assembléia Geral, realizada no dia 11 de junho, o resultado dessa Assembléia foi um nítido esvaziamento.

O que se viu foi que a atual Gestão do DCE não é mais reconhecida pelos estudantes da UFRGS e perdeu a legitimidade para falar em nome deles, tanto que dos mais de 27 mil alunos matriculados, menos de 100 compareceram ao evento chamado pela atual gestão sem nem mesmo consultar o Conselho de Entidades de Base (CEB).

Não obstante a falta de representatividade da Assembléia de hoje em virtude da baixíssima participação dos estudantes, vale lembrar que ela também não foi legalmente válida devido à falta de quorum, como estabelece o Art. 13, Parágrafo único, do Estatuto do DCE (clique aqui para visualizar):

Art. 13.
Parágrafo único. Para deliberação, o quorum mínimo da Assembléia é de 2% (dois por cento) dos estudantes matriculados”.

Portanto, o DCE Livre, grupo de oposição à atual gestão do DCE da UFRGS, manifesta que a atual a atual gestão do DCE da UFRGS não tem mais legitimidade para falar em nome dos estudantes e, por conta de suas ações que buscam causar prejuízos aos estudantes apoiando uma “greve de docentes” que não possuí nem mesmo apoio dos docentes de nossa Universidade, deve formalizar sua renúncia para que o Conselho de Entidades de Base possa chamar novas eleições para a entidade o quanto antes.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Assembléia dos Alunos da Pedagogia da UFRGS

Em 28 de junho de 2012, aconteceu a Assembléia Geral dos Alunos de Pedagogia da UFRGS. Participou dessa reunião o Vice-Presidente do DCE Livre, Régis Antônio Coimbra, que também é membro, representando o curso de Licenciatura em Dança, do Comando de Mobilização.

Da mesma forma como ocorreu com a Assembléia Geral dos Estudantes da UFRGS de 11 de junho, a reunião começou com considerável atraso, de mais de 30 minutos. Durante este atraso, Régis conversou com estudantes que estavam presentes na Assembléia.

Finalmente, depois de mais de 30 minutos, a Assembléia começa.


Quando começou, a Profa. Dra. Laura Fonseca e o Prof. Dr. I-Juca-Pirama Camargo Gil (mais conhecido como Juca Gil) fizeram comunicados ("informes", no jargão assembleístico). Na sequência, informou a técnica educacional Bernadete Menezes (Berna), coordenadora da ASSUFRGS.



Depois a palavra circulou mais entre estudantes, embora ainda com uma curiosa referência aos professores, como se a assembléia fosse para perguntar para eles como se resolveriam os casos particulares e não para construir as posições dos estudantes - mas pode ser pela falta de prática de greves desde 2001...


Em seguida, Régis manifestou-se observando que além dos esclarecimentos dos professores, os alunos tinham o espaço da assembléia para construir suas próprias posições para comunicar aos professores, bem como as atividades cuja paralisação seria contraproducente face aos objetivos da greve poderiam e deveriam ser preservadas.


Após a manifestação de Régis, suscitou-se uma questão de ordem pertinente (se alunos de outros cursos poderiam se manifestar na assembléia dos estudantes da Pedagogia), mas talvez sectária, lembrando que além de estudantes da UFRGS, Régis também é membro do Comando de Mobilização.


Após o um incidente (isolado e legítimo) de (talvez) sectarismo, a reunião voltou à atitude casuística e dependente dos professores, o que levou Régis a reiterar o que observara antes, enfatizando que estar em greve não é estar parado, mas pressionando (no caso, o governo federal) de modo a conquistar as reivindicações, o que pode e deve ser feito com atividades mais do que com o cruzar de braços.

domingo, 24 de junho de 2012

Greve dos Docentes da UFRGS

No último dia 21 de junho, a ADUFRGS-Sindical divulgou o resultado do Plebiscito realizado junto aos docentes da UFRGS sobre a adesão à greve que atualmente atinge diversas IFES. Participaram deste plebiscito, que foi realizado de forma eletrônica, cerca de 42,07% dos Docentes da UFRGS e 80,05% destes se manifestaram contra a adesão à greve.

Frente a este resultado, a ANDES/UFRGS, entidade ligada ao PSOL e ao PSTU e que, da mesma forma que esses partidos que possuem baixíssima representatividade no cenário nacional, possuí pouca representatividade entre os professores de nossa Universidade, manifestou discordância a respeito deste plebiscito, destacando os seguintes pontos:

“1. Direcionada: o texto “informativo” inicial, de “introdução” às alternativas, claramente orientou a resposta;”

Ora, é de se convir que a questão da greve está sendo amplamente divulgada no cenário nacional e, além disso, através de seus apoiadores também é muito divulgada dentro da Universidade. É inverossímil que mero texto, de poucas linhas, vá “orientar a resposta” dos docentes.

“2. Descabida: a pauta da greve é unicamente a do ANDES-SN, considerando-se que todas as reivindicações do Proifes “já” estão atendidas, segundo afirmações do próprio texto “informativo” inicial, de “introdução” às alternativas;”

Aqui tentam descaracterizar o Proifes (Sindicato dos Professores das Instituições Federais de Ensino Superior), mas é evidente a fragilidade do argumento, no sentido que tenta induzir o docente a aderir à greve proposta pela ANDES, que claramente não representa os docentes da UFRGS, sob a alegação de que as propostas do Proifes, que congrega a maioria absoluta dos docentes de nossa Universidade, já foram atendidas.

O que se pode tirar daqui, de fato, é que os docentes estão satisfeitos com a representatividade exercida pela ADUFRGS/Proifes e, como já dissemos, não consideram a ANDES significante. Não se trata de atendimento de demandas, mas de representatividade, o que é afirmado pela ANDES é equivalente à “Você que é do Partido X e já teve suas reivindicações atendidas, agora DEVE apoiar o Partido Y, que ainda tem reivindicações”. Isso sim é descabido.

“3. Constrangedora: de acordo com relatos de alguns sócios, houve, durante a consulta, um trabalho de “convencimento” (telefonemas, visitas a gabinetes, pressões, insinuações, etc.) sobre a necessidade de participar da consulta e votar “bem”;”

Constrangimento é ser obrigado a se posicionar contra ou a favor de algo sob os gritos e insultos dos militantes e é isso que acontece em “Assembléias ao Vivo”, um festival de baixarias que parece agradar muito a ANDES.

Exemplo disso é o que aconteceu na Assembléia Geral dos Estudantes da UFRGS, realizada no último dia 11 e que contou com a participação de menos de 2% dos estudantes da Universidade. Cada vez que alguém contrário ia se manifestar, esta pessoa era acuada pelos militantes, que impediam sua fala através de gritos, batucadas e insultos.

O trabalho de convencimento, através do diálogo, vai (e deve) existir, seja em se tratando de plebiscito eletrônico, seja em se tratando de assembléia presencial, a diferença é que na reunião presencial, além do diálogo, outro fator que pode ser usado no convencimento é aquele da humilhação, da exposição do indivíduo ao escárnio público, seja com o objetivo de convence-lo à mudar sua posição seja com o objetivo de tirar a sua credibilidade e fazer com que outros não tenham a mesma opinião que ele.

Os docentes da UFRGS não precisam e não devem passar por essa humilhação, da mesma forma que os estudantes já passaram.

"4. Ilegal: fere a lei de greve (Lei 7783), como forma de decisão da categoria;
5. Antiregimental: fere o regimento da própria entidade (Artigo 24)."

Isso é contraditório, pois considera que é mais legítima uma assembléia presencial, com menos participação, como a Assembléia Geral dos Estudantes da UFRGS, que foi presencial e teve participação de menos de 2% dos estudantes da UFRGS, do que um Plebiscito que contou com quase 50% da categoria, como foi o caso do Plebiscito Eletrônico realizado pela ADUFRGS.

Está claro que a ANDES, da mesma forma que o PSOL e o PSTU durante as eleições para o DCE da UFRGS, não está interessada em ouvir os docentes e representa-los com seriedade, mas, antes disso, quer obrigá-los a aderir às suas pautas partidárias, seja como for e com qualquer método, na clara linha de que “os fins justificam os meios”.

Por fim, a nota da ANDES termina com a seguinte colocação:

“Você que não votou (e é maioria na UFRGS!), você que não acredita, some-se à mobilização para pressionar o governo.”

Realmente a maioria não votou (57,93%), mas é importante dizer que para que a proporção de professores favoráveis à greve seja de, no mínimo, 50%, ou seja para que o número de professores favoráveis à greve seja o mesmo que o número de professores contrários à greve, a proporção de docentes que não votaram e que deveriam ser favoráveis à greve deveria ser de 71,82%, o que não condiz com o que pode-se observar na prática.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Marxistas do mundo, estudem!

Por Régis Antônio Coimbra*

É de contrair as coronárias ver marxistas já de uma considerável idade repetirem as coisas mais elementarmente erradas de Marx. A culpa dos principais erros de Marx é do seu tempo, mas a dos marxistas de hoje é deles mesmos (ou de algum complô de outros marxistas que os enrolam e acabam se enrolando junto).

Para ajudar, vou lembrar mais uma vez:

1. Marx se baseou na teoria do valor disponível, dos economistas clássicos, que não dava conta da remuneração do capitalista e do empresário;

2. Mas Eugen von Ritter Böhm-Bawerk resolveu a charada: o capitalista (e o empresário mesmo que não entre com capital financeiro) geram riqueza a qual deve ser remunerada (juros para o capitalista "puro", que só arrisca seu capital; "pro-labore" para o empresário que só administra... adaptando um pouco);

3. sem esse detalhe, não tem como fechar a conta e acabamos com uma versão ilusória da exploração (que há) no capitalismo.

Dito isso, que assusta os marxistas vulgares (parodiando Marx, hehe...), podemos buscar no próprio Marx os elementos que tornam o autor ainda atual:

4. a principal alienação decorre da formação especializada de "trabalhadores" e de "burgueses", de trabalhadores braçais ou subalternos e de "executivos";

5. a conversa da mais valia surrupiada só faz sentido se acabamos com a própria distinção entre trabalhador subalterno que não decide, apenas executa, e a do capitalista, empresário ou executivo que toma decisões. No contexto especializado em que vivemos, os trabalhadores (explorados...) precisam dos capitalistas e empresários e substituí-los por burocratas costuma dar bode - algo como substituir os burgueses "orgânicos" por burgueses biônicos (no mau sentido).

6. não haverá revolução socialista ou, o que houver, não sendo hegemônico, nunca sairá da "ditadura da burocracia" precisamente pelo estado de guerra permanente com o resto do mundo (capitalista) e os efeitos de guerra de informação e justificativa para radicais faltas de democracia; e sem democracia ampla não há homem integral; ao contrário, a alienação aí sim é deliberada, planejada, sistematizada - ok, no capitalismo também há alienação.

7. não existe mais o proletariado... a figura foi desaparecendo nos países "centrais" com a queda radical da taxa da natalidade, fim do ciclo "ecológico" descrito por Smith, no qual qualquer aumento de produtividade que implicasse aumento da renda dos trabalhadores significava aumento do número de filhos sobreviventes e reestabilização em novo patamar de, novamente, mera subsistência (ainda que de mais dependentes). Findo o lado "proletário" da classe trabalhadora, ela passou a ser consumidora importante e a nova alienação não é de salário, é de perspectiva - a classe média até metida a chique é escrava do consumismo (os emergentes, os pobres e os quase miseráveis estão paradoxalmente na mesma, só que consomem produtos mais vagabundos).

8. assim, reitero, não haverá revolução por acirramento da luta de classes: a classe trabalhadora padece da mesma alienação da burguesia, a especialização e o consumismo. A "revolução" terá de se dar pelo esclarecimento e, pior... pós-estruturalista, pós-moderno etc - com as inevitáveis viagens meio new age com mistificações da física quântica etc... isso é, vai demorar e periga substituir burgueses e burocratas por gurus...


*RÉGIS ANTÔNIO COIMBRA é filósofo e advogado formado pela UFRGS. Especialista em Direito e Economia e, atualmente, é Acadêmico da Licenciatura em Dança pela UFRGS.

sábado, 16 de junho de 2012

1ª Reunião do Comando de Mobilização

Em 14 de junho de 2012, por ocasião da primeira reunião do comando de mobilização pelas propostas ou demandas definidas no primeiro ponto da pauta da Assembléia Geral do DCE da UFRGS de 11 de junho de 2012, em espaço para ponderações (análise de conjuntura, relato de demandas e propostas diversas), Régis Antônio Coimbra, do Movimento Estudantil Liberdade, apresentou ressalvas às manifestações que se apresentaram antes e sugere uma atuação mais inclusiva das diversas posições dos estudantes da graduação da UFRGS.

Nas falas anteriores, vários alunos de diversos cursos comentaram que a assembléia havia sido massiva, muito representativa etc, ponderaram que fazer assembléias nos cursos, como recomendado nacionalmente seria temerário antes de uma preparação, pois poderia levar ao menos em diversos cursos a posições contrárias ao do comando (várias vezes confundido durante a reunião com um comando de mobilização "de greve"), um calouro do Direito usou a infeliz expressão "...se isso não conscientizar os alunos, só dando um tiro na cabeça deles para eles se conscientizarem...", mais de um fez comentários no sentido de que o comando deveria evitar qualquer posição "da direita", "do inimigo" e expressões nesse sentido, claramente referindo-se (voltando-se, mesmo, em alguns casos) às presenças de Régis Antônio Coimbra (pela Licenciatura em Dança) e de Gabriel Afonso Marchesi Lopes (pela Estatística).

Régis faz ponderações na 1ª reunião do comando de mobilização

Ainda, nesta primeira reunião, Régis, Vice-Presidente do DCE Livre, encaminhou a proposta de flashmobs no Instituto de Ciências Básicas da Saúde, cujo prédio, segundo várias fontes, estaria sendo definido para abrigar o conjunto dos cursos de Artes da UFRGS - incluindo o de Licenciatura em Dança.

Proposta da comunidade acadêmica da Licenciatura em Dança para o comando de mobilização
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